Programa leva jovens a resgatar sonhos
Reconhecido como uma tecnologia social eficiente no atendimento de adolescentes em situação de alta vulnerabilidade social, o programa Viravida, coordenado pelo Sesi e executado por todo "sistema S", atende também o público vitimado pela exploração sexual comercial. No Paraná, o programa tem núcleos em Curitiba, Foz do Iguaçu escolhida por ser região de fronteira e Londrina, considerada região de risco para exploração sexual por ser próxima de muitas rodovias. Atualmente, são 15 turmas em andamento no Estado. Desde 2010, quando foi implantado, realizou 623 atendimentos, sendo 212 em Londrina. Em todo Paraná, já se formaram 156 pessoas. "Ainda perdemos jovens ao longo do processo, mas os que terminam têm sucesso", conta Cristiane Wysnievski, coordenadora estadual do Viravida.
Os alunos passam por acompanhamento psicológico e socioeducacional por um período de 12 meses. "O objetivo é inseri-los no mercado de trabalho formal", diz. Por mais 12 meses, no mínimo, os alunos são acompanhados para que tenham condições de permanecer no trabalho e evitar que retornem à antiga situação de vulnerabilidade. "A ideia é encher esses jovens de sonhos e expectativas, para que reconheçam a própria história e façam planos de vida", define a psicóloga do programa em Londrina, Ana Carolina Di Giorgio.
Entre as vítimas de exploração sexual atendidas, estão principalmente meninas e meninas transexuais, com baixa escolaridade e sem vínculos familiares. As alunas muitas vezes se submetem a esta violação desde os 12 anos, mas começam a ser atendidas com 15, que é a idade mínima para ingressar no Viravida. "A exploração é o mais degradante dos trabalhos infantis, porque ocorre após várias outras violações de direitos das crianças e adolescentes. Eles apresentam todas as vulnerabilidades possíveis", analisa.
Por ter uma tecnologia específica para atendimento de vítimas de exploração sexual, o Viravida pode se transformar em política pública. "Chegamos nas vítimas porque temos foco", avalia Cristiane, acrescentando que ainda falta um olhar mais especializado nos serviços públicos existentes.
A informação é confirmada por Heloiza Egas, coordenadora geral de enfrentamento de violência sexual contra crianças e adolescentes da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República. Ela informou que existe um grupo de trabalho inspirado no programa, reconhecido por ter uma metodologia bem-sucedida para atendimento de casos de exploração. "Estamos discutindo como transformar em política pública, definindo qual será o público-alvo, a faixa etária e qual será a obrigação de cada órgão público envolvido no atendimento destes adolescentes", diz.
No Brasil, de 2011 a 2014, as denúncias de exploração sexual recebidas pelo Disque 100 aumentaram 121%, passando de 2.455 para 5.437 casos. Heloiza acredita que o crescimento é positivo, pois indica a consolidação do serviço. A coordenadora destaca que as vítimas de exploração sexual são principalmente meninas de 12 a 17 anos, que muitas vezes possuem algum tipo de relação com o agressor e recebem dinheiro ou presentes em troca de relações sexuais para ajudar nas despesas da família, normalmente em situação de alta vulnerabilidade social e econômica. (C.A.)





