A unidade de reabilitação profissional da Previdência Social, em Maringá, está conseguindo evitar a aposentadoria precoce dos trabalhadores e melhorar a renda daqueles que voltam ao mercado de trabalho. Orientados por uma equipe de multiprofissionais, os trabalhadores que ficam incapacitados parcialmente ou totalmente para exercer a profissão, participam de cursos e ingressam em novas atividades que garantem um salário maior. Na maioria dos casos, os trabalhadores passam a ser autônomos e, além de uma renda melhor, desenvolvem atividades que exigem menos esforço físico.
Criado no País há mais de 50 anos, a unidade de reabilitação profissional foi implantada no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em Maringá somente em dezembro de 1995, mas já se tornou a fonte de inspiração para muitos trabalhadores sem esperanças de um futuro melhor. Para o INSS, o setor implica em economia já que evita a aposentadoria de novos e jovens trabalhadores. ‘‘Através deste programa, o segurado da Previdência deixa de ser um peso e passa a ser um gerador de riquezas’’, define o gerente-executivo da Previdência Social em Maringá Valmir de Souza Tomas.
De acordo com a psicóloga Vera Maria Galvão, a grande maioria dos segurados que passa pela unidade e que é orientada a desenvolver uma nova atividade profissional é grata à nova chance de trabalho. Mas o começo deste tipo de acompanhamento e orientação nem sempre é fácil. Há muitos casos de trabalhadores que chegam no INSS ansiosos para obter a aposentadoria e demonstram pouco interesse em desenvolver outra atividade. ‘‘Esses são os casos mais complicados, mas o nosso trabalho é justamente o de conversar, explicar e convencer estes trabalhadores que eles têm potencial e condições de desenvolver outras atividades’’, explica Vera Maria.
A equipe multiprofissonal formada por duas enfermeiras, uma médica, e uma psicóloga avalia os aspectos sócio-profissional e clínico do segurado. ‘‘A diferença da perícia médica e o trabalho que desenvolvemos é que a perícia só avalia as condições de saúde do trabalhador, enquanto nós fazemos uma análise completa levando em consideração o potencial do segurado, a aptidão para uma nova atividade e as condições que ele tem para voltar ao mercado de trabalho’’, garante a enfermeira Hanae Shinnai.
O período de orientação e acompanhamento ao segurado varia de acordo com o caso, mas o prazo para a perícia é de 90 dias. Além de continuar recebendo o benefício durante todo período de avaliação, o segurado também participa de cursos profissionalizantes indicados pela unidade de reabilitação ou de seu interesse. ‘‘O prazo pode ser prorrogado se houver necessidade do segurado continuar na reabilitação. Nesse caso, o segurado continua recebendo o benefício da Previdência’’, diz Hannae.
Outra vantagem do programa é que o segurado recebe da Previdência Social todo o material necessário para realizar o curso profissionalizante. Quando há recursos do governo federal, a Previdência também subsidia os equipamentos para a futura empresa do segurado. O subsídio é em regime de comodato e depois de dois anos é feita uma fiscalização para verificar o uso dos equipamentos. ‘‘Se a pessoa não estiver mais usando os equipamentos, eles são recolhidos e repassados para outro interessado’’, diz Hannae.

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