Professor não vê contexto para movimento hippie
Autor do livro ''Viagem ao mundo alternativo: a contracultura nos anos 80'', publicado pela editora Unesp, o sociólogo, escritor e historiador César Carvalho, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), não vê similaridades entre o movimento hippie e o estilo de vida dos ''malucos de estrada''. ''O movimento hippie é bem datado. É produto da circunstância norte-americana na época da guerra do Vietnã'', explica.
No Brasil, o movimento assume um contexto diferente, o da ditadura militar, que impunha uma forte consciência política entre os jovens. ''Quando a crença na revolução socialista começa a cair, parte da juventude vê no movimento hippie outra possibilidade de atuação'', analisa. Carvalho avalia, também, que depois da década de 1970 os elementos que faziam parte da cultura hippie foram incorporados pelo sistema, o que ele considera positivo. ''Permitiu a ampliação de valores como a forte consciência ecológica incorporada aos dias de hoje.''
Neste contexto, ele acredita que os ''malucos de estrada'', ainda que recebam influência do movimento hippie, são ''ideias fora do lugar''. ''São artesãos que trabalham de forma alternativa e que tentam resgatar o movimento hippie, mas não há contexto histórico para isso'', afirma. Por outro lado, ele defende que, na medida em que essas pessoas vivenciam essa nova vida alternativa, estão criando uma nova cultura. ''Cada pessoa tem que encontrar o seu caminho. O problema é querer transformar isso em categoria social'', critica, lembrando que, no século 21, não existe mais possibilidade de viver ''fora do sistema''. ''Mesmo comunidades isoladas na bacia amazônica ligam seus geradores para assistir novelas à noite. Não acredito, hoje, na possibilidade de viver totalmente à margem.''(C.A.)





