Na propriedade de Valdeir Martins, no Heimtal, estoque de ração para alimentar vacas leiteiras está no fim
Na propriedade de Valdeir Martins, no Heimtal, estoque de ração para alimentar vacas leiteiras está no fim | Foto: Marcos Zanutto



Enquanto os caminhoneiros reivindicam por melhores condições de trabalho e por medidas que reduzam os custos da profissão, na outra ponta estão os produtores rurais que já enxergam os prejuízos se aproximando. Todos os setores já começam a ser afetados pela paralisação que não tem data para acabar.
Produtor de hortaliças no patrimônio Selva, em Londrina, Eliel dos Santos Silva está sem vender a produção. Na semana que passou, ele nem foi à Ceasa, onde costuma descarregar suas verduras às segundas, quartas e sextas-feiras. "Não sou só eu que estou parado. Muitos colegas de Tamarana, Mauá da Serra e do distrito de Lerroville também estão de braços cruzados. Deixei de entregar seis mil quilos de folhagens", calcula.
Sem ter onde vender, Silva optou por não fazer a colheita e deixou nos canteiros a produção da semana. "Na roça conserva um pouco e o tempo frio está ajudando, mas a gente tem conta para pagar, dívidas. Tenho alface, brócolis, couve-flor para colher. Uma semana ainda aguenta, mas até segunda-feira não dá. Vai chegando outro lote para colher e aí fica complicado. Toda semana eu planto um lote", explicou. "São R$ 6 mil por semana que eu deixo de ganhar, mas tenho funcionário para pagar. Concordo com o movimento porque uso diesel, tenho trator para preparar a terra, caminhão para transporte, mas fica complicado."
Na propriedade de Valdeir Martins, no patrimônio Heimtal, em Londrina, a grande preocupação é com os insumos para alimentação das 80 cabeças de vaca. O produtor de leite calcula que o estoque seja suficiente até segunda-feira. "A ração vem de Ibiporã e estava programada para ser entregue na segunda-feira passada. É pertinho, mas com o bloqueio na estrada não passa."
O produtor apoia a mobilização dos caminhoneiros, mas sabe que se a falta de combustível nos postos persistir, o escoamento da produção também será prejudicado em breve. "Não dependemos de estrada para entregar a produção porque só vendemos aqui dentro da cidade, mas sem combustível não tem como fazer as entregas. Só temos o que está nos tanques. Só vai dar até sábado (26)."
Mesmo sem previsão de normalização das condições de transporte e abastecimento de combustível, Martins segue ordenhando o rebanho, mas os tanques só têm capacidade para armazenar dois dias de produção de leite cru. "Conseguimos armazenar dois dias no tanque e mais dois dias na câmara fria. Mais de quatro dias não dá para guardar. Se não tiver como distribuir, vamos ter que continuar fazendo a ordenha e jogar o leite mais velho fora."
A avicultura é outro setor ameaçado pela paralisação. Na granja de Osvaldo Marques de Oliveira, em Jaguapitã (Norte), se não chegasse ração na sexta-feira (25), os primeiros prejuízos já começariam a ser contabilizados neste domingo, quando devem terminar os estoques de alimentos para as aves. "Meus frangos estão com 22 dias e, nessa idade, consomem entre seis e sete toneladas por dia de ração. O último carregamento chegou no começo da semana e o abastecimento, normalmente, é feito dia sim, dia não."
Se ficarem sem comer por mais de quatro dias, as 47 mil aves não irão resistir e mesmo que sobrevivam, perderão qualidade porque o desenvolvimento fica comprometido. "Nessa idade eles têm que ganhar entre 60 e 70 gramas por dia. Se não ganharem peso, o preço de venda, que seria de R$ 1,10 por cabeça, cai para R$ 0,30 ou R$ 0,40, aí não paga os custos. Não paga nem a luz."

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