Produtores rurais começam a contabilizar prejuízos
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sexta-feira, 25 de maio de 2018
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Enquanto os caminhoneiros reivindicam por melhores condições de trabalho e por medidas que reduzam os custos da profissão, na outra ponta estão os produtores rurais que já enxergam os prejuízos se aproximando. Todos os setores já começam a ser afetados pela paralisação que não tem data para acabar.
Produtor de hortaliças no patrimônio Selva, em Londrina, Eliel dos Santos Silva está sem vender a produção. Na semana que passou, ele nem foi à Ceasa, onde costuma descarregar suas verduras às segundas, quartas e sextas-feiras. "Não sou só eu que estou parado. Muitos colegas de Tamarana, Mauá da Serra e do distrito de Lerroville também estão de braços cruzados. Deixei de entregar seis mil quilos de folhagens", calcula.
Sem ter onde vender, Silva optou por não fazer a colheita e deixou nos canteiros a produção da semana. "Na roça conserva um pouco e o tempo frio está ajudando, mas a gente tem conta para pagar, dívidas. Tenho alface, brócolis, couve-flor para colher. Uma semana ainda aguenta, mas até segunda-feira não dá. Vai chegando outro lote para colher e aí fica complicado. Toda semana eu planto um lote", explicou. "São R$ 6 mil por semana que eu deixo de ganhar, mas tenho funcionário para pagar. Concordo com o movimento porque uso diesel, tenho trator para preparar a terra, caminhão para transporte, mas fica complicado."
Na propriedade de Valdeir Martins, no patrimônio Heimtal, em Londrina, a grande preocupação é com os insumos para alimentação das 80 cabeças de vaca. O produtor de leite calcula que o estoque seja suficiente até segunda-feira. "A ração vem de Ibiporã e estava programada para ser entregue na segunda-feira passada. É pertinho, mas com o bloqueio na estrada não passa."
O produtor apoia a mobilização dos caminhoneiros, mas sabe que se a falta de combustível nos postos persistir, o escoamento da produção também será prejudicado em breve. "Não dependemos de estrada para entregar a produção porque só vendemos aqui dentro da cidade, mas sem combustível não tem como fazer as entregas. Só temos o que está nos tanques. Só vai dar até sábado (26)."
Mesmo sem previsão de normalização das condições de transporte e abastecimento de combustível, Martins segue ordenhando o rebanho, mas os tanques só têm capacidade para armazenar dois dias de produção de leite cru. "Conseguimos armazenar dois dias no tanque e mais dois dias na câmara fria. Mais de quatro dias não dá para guardar. Se não tiver como distribuir, vamos ter que continuar fazendo a ordenha e jogar o leite mais velho fora."
A avicultura é outro setor ameaçado pela paralisação. Na granja de Osvaldo Marques de Oliveira, em Jaguapitã (Norte), se não chegasse ração na sexta-feira (25), os primeiros prejuízos já começariam a ser contabilizados neste domingo, quando devem terminar os estoques de alimentos para as aves. "Meus frangos estão com 22 dias e, nessa idade, consomem entre seis e sete toneladas por dia de ração. O último carregamento chegou no começo da semana e o abastecimento, normalmente, é feito dia sim, dia não."
Se ficarem sem comer por mais de quatro dias, as 47 mil aves não irão resistir e mesmo que sobrevivam, perderão qualidade porque o desenvolvimento fica comprometido. "Nessa idade eles têm que ganhar entre 60 e 70 gramas por dia. Se não ganharem peso, o preço de venda, que seria de R$ 1,10 por cabeça, cai para R$ 0,30 ou R$ 0,40, aí não paga os custos. Não paga nem a luz."


