Produtor multiplica riquezas da terra
O fazendeiro João Marco Nicaretta persegue a meta de colher 12,39 toneladas de milho e 4,96 toneladas de soja por hectare dentro de quatro anos. ''Tecnologia e potencial para isso existem'', avalia o agricultor que, na safra 2002/03, produziu 3,57 toneladas em cada um dos 382 hectares cultivados com a oleaginosa na Fazenda Nicaretta, que tem 726 hectares, dos quais 506 se destinam à produção de grãos e os 220 hectares restantes são cobertos por vegetação nativa. A propriedade, que fica em Pitanga, na região central do Paraná, registrou produtividade de 9,86 toneladas por hectare nas lavouras de milho, implantadas em 124 hectares. Os números atuais, conforme lembra o agricultor, estão bem distantes dos resultados obtidos entre 1980/81, na abertura da propriedade, que tinha 121 hectares: a soja rendeu apenas 991 quilos e, o milho, 793 quilos por hectare.
Gaúcho de Santa Cruz do Sul e que, antes de se radicar no Paraná, viveu em Chapecó (SC), Nicaretta diz que a adoção de tecnologia na conservação e manejo do solo e na condução das lavouras permite elevar a produtividade, melhorando o rendimento da atividade e viabilizando a propriedade. ''É lógico que há outros fatores que não dependem de nós, como o tempo, por exemplo. Mas quando o ano é bom, tudo dá certo. Foi o que ocorreu na última safra com o milho, que teve uma produtividade excepcional. Aliás, é isso que nos leva a procurar cada vez mais o aumento da produção de nossas lavouras'', diz.
O fazendeiro avalia que o custo de produção, na última safra, correspondeu a 1,61 tonelada de soja por hectare, enquanto o milho ficou em 3,96 toneladas por igual área. No entanto, os valores do nosso plantio serão bem maiores entre 40% e 50% a mais. A conclusão se baseia apenas no reajuste do preço dos fertilizantes, adverte o agricultor. Ele estima que o gasto deve chegar a 1,98 tonelada de soja e o do milho a 6,20 toneladas por hectare. ''Por isso, é que temos de nos manter atentos às novidades da atividade, das técnicas de plantio às atualizações dos insumos'', comenta.
O agricultor, que administra a propriedade com a ajuda dos dois filhos, dois empregados efetivos e um temporário, considera que, sem a assistência da Coamo, a produtividade agrícola na região seria 40% menor que a média atual de 3,09 toneladas de soja e de 8,18 toneladas de milho por hectare. Lembra que a situação começou a melhorar a partir de 1984 com a adoção do plantio direto. ''Com isso, a produtividade foi aumentando até chegar aos patamares de hoje.'' Segundo Nicaretta, a cooperativa presta assistência regularmente aos associados, ''que praticamente estão no meio do mato''. Ele destaca: ''A Coamo vem ao nosso encontro, em visitas técnicas, reuniões e dias de campo''.
Isso, segundo o produtor, é que torna a atividade agrícola viável. Ele começou a formar a fazenda com a metade dos 121 hectares que tinha em parceria com o pai e um irmão. O dinheiro que sobrava ia para a compra da terra. Costume que mantém até hoje: está se preparando para comprar outros 108 hectares na região. ''A agricultura bem tocada é um dos melhores negócios que existem. Mas é preciso acreditar nos técnicos e ter um pouco de ousadia'', ensina Nicaretta.





