PRODUTIVIDADE E DESCANSO - Aposentadoria é um complemento da renda
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sábado, 21 de março de 2015
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Antes mesmo de completar 50 anos, a escrevente juramentada Cristina Sanches Teixeira, atualmente com 52 anos, resolveu se aposentar. A decisão, tomada há quatro anos, não mudou em nada a rotina dela. Isto porque, como boa parte dos brasileiros, continuou trabalhando mesmo depois de obter o benefício junto à Previdência Social. Cristina, que está no mesmo cartório desde que ingressou no mercado de trabalho, aos 16 anos, permaneceu no emprego após a aposentadoria. "Nunca trabalhei em outro lugar", conta.
O pedido do benefício foi motivado pela vontade de aumentar a renda. A maior parte do orçamento da escrevente, entretanto, continua vindo do salário recebido no cartório. "A aposentadoria é um complemento", revela ela, que tem dois filhos e pretende continuar trabalhando pelo menos até eles se "estabelecerem na vida". "Depois disso, vou pensar em parar", planeja.
A trabalhadora revela que gosta da rotina de sair de casa todos os dias e ainda não se vê "sem fazer nada". Confessa, porém, que começa a sentir-se cansada da jornada de trabalho exaustiva. Sem planos concretos sobre o que fazer quando decidir se aposentar na prática, ela afirma que a única certeza é que terá de repensar o padrão de vida. "Sei que vou precisar rever meus gastos, mas acho que vale a pena se for para ter tranquilidade", avalia.
Trajetória diferente foi trilhada pela aposentada Dirce Maria Gouveia Quintanilha, de 73. Formada professora na antiga "escola normal" e com faculdade em Letras, ela constituiu carreira na área de educação, onde atuou como secretária em escolas, professora de todos os níveis da educação básica e também diretora. Completou 35 anos de dedicação a este setor e, apesar de ter o direito de se aposentar, continuou trabalhando. "Eu sempre gostei muito do que fazia", diz.
Foi apenas quando teve de se mudar de Curitiba para Londrina que Dirce resolveu correr atrás da aposentadoria. Há dez anos, aos 63, ela finalmente saiu do mercado de trabalho para viver a tão sonhada vida de aposentada. "Minha família pedia há tempos para eu ter uma vida mais tranquila", conta.
O que para muitos parece ser o ideal de tranquilidade, porém, não encantou a comunicativa Dirce. "Eu saía, ia passear, mas não tinha uma ocupação", recorda ela, que acredita ter passado até por uma leve depressão nesta época. Sem vontade de voltar para as salas de aula, pensava em arrumar outra ocupação, o que acabou acontecendo quando uma das filhas decidiu abrir uma loja de cosméticos e pediu para ajudá-la no atendimento dos clientes.
"Não via a hora de sair de casa, criei alma nova", revela Dirce, que está na rotina de trabalhar na loja há três anos. A melhor parte, segundo ela, é ter voltado a se relacionar com as pessoas. "Me sentia desatualizada", conta. A aposentada não teve dificuldades em fazer novos amigos no pequeno shopping onde fica a empresa e garante que a vida ativa, que inclui caminhadas antes de ir para o trabalho, é o segredo para a boa saúde.
Além de atender a clientela, ela cumpre outras obrigações como cuidar do estoque e arrumar a vitrine. "Amo indicar produtos para as pessoas, ouvir o que elas precisam. Descobri um novo talento", acredita. Vivendo o melhor de dois mundos, Dirce reforça que vai todos os dias à loja, mas tem muita liberdade para sair e fazer outras coisas durante o horário do expediente. "É tudo combinado com a minha filha."


