Quarto maior produtor mundial de vestuário e na quinta posição no ranking dos maiores do setor têxtil, o Brasil está ameaçado pela concorrência da China e outros países asiáticos que, com moedas depreciadas frente ao dólar, leis trabalhistas ''frouxas'' e ausência de legislação ambiental, oferecem produtos mais baratos ao mercado.
O problema se expressa nos números divulgados por Fernando Pimentel, diretor superintendente da Associação Brasileira das Indústrias Têxteis (Abit). Em 2011, enquanto o consumo no varejo brasileiro cresceu 7%, a produção física (em volume de peças) de vestuário caiu 4% e a produção têxtil retraiu de 13% a 14%. ''O crescimento do consumo foi abocanhado pelos importados, principalmente em função das condições assimétricas de concorrência'', afirma, acrescentando que, no período, as importações de peças prontas cresceram 40%.
Para Pimentel, a valorização do real que favorece as importações apenas potencializou uma realidade de ineficiência estrutural do País, que inclui juros altos, excesso de impostos e burocracia. Por isso, a agenda de reivindicações do setor pede regime tributário diferenciado, desoneração das exportações, defesa comercial efetiva - com combate ao desequilíbrio cambial e criação de medidas compensatórias -, e redução do custo do trabalho.
Alguns pedidos foram contemplados pelo ''Brasil Maior''. Para Pimentel, porém, a iniciativa foi tímida diante do tamanho do desafio. (C.A.)

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