Produção artesanal ajuda no orçamento familiar caingangue
Produção artesanal
ajuda no orçamento
familiar caingangue
Boa parte das mulheres de Queimadas trabalham na confecção de balaios de bambu e gamelas esculpidas com madeiras macias. Os produtos, depois de prontos, são vendidos pelos próprios índios na cidade ou às margens da Rodovia do Café (BR-376).
Um balaio, dependendo do tamanho pode custar de R$ 5 a R$ 15. O dinheiro ganho é gasto na compra de roupas e calçados para os adultos e crianças. Paulina Lourenço, 38 anos, três filhos, diz que seu marido toca uma roça de 2,5 alqueires. O dinheiro que consegue com as peças que produz compra sapatos e roupas.
Ela critica os barraqueiros que vendem artesanato na rodovia. Segundo Paulina, a maioria vende produtos trazidos de indústrias de outros lugares e diz que foram feitos pelos índios da região. Isso não é certo, porque estão prejudicando os índios.
O alcoolismo é tratado como tabu pelos índios da reserva. Até mesmo o cacique Ernesto Francisco esquiva-se das perguntas feitas pela reportagem da Folha a respeito do assunto. Ele apenas abaixa a cabeça e fica quieto, mesmo diante da insistência da pergunta.
Em Ortigueira autoridades também evitam falar do consumo de álcool entre os índios. O delegado Valter Helmult diz que há bastante tempo não tem problemas deste tipo, mas já ouviu falar a respeito. Sei que eles têm suas próprias regras e que são mais rigorosas que as dos brancos, afirma.
Ele lembra que a lei é bastante clara e os comerciantes estão cientes. É proibida a venda de bebibas alcóolicas a indígenas. Se alguém for flagrado terá sérios problemas com a justiça, assinala. (M.B.)





