A coleta de órgãos para transplantes, segundo a coordenadora geral da Central Regional Norte, em Londrina, Elza Lara Bezerra, respeita procedimento e aproveitamento diferenciados de acordo com a morte do doador. No Estado, nos casos de morte súbita, podem ser aproveitados apenas as córneas, válvulas do coração, ossos, cartilagens e músculos. A doação de múltiplos órgãos só ocorre em pacientes com morte encefálica ou cerebral.
A família de pessoas com morte súbita recebe a comunicação apenas no hospital, e em seguida é abordada para o pedido de doação por representantes da Comissão Intra-hospitalar de Captação de Órgãos e Tecidos de Transplante. Com a concordância da família, o doador é levado para o centro cirúrgico e paralelamente é acionada a equipe de captação para a retirada dos órgãos.
Nos pacientes com morte encefálica ou cerebral, o processo que define o potencial doador é mais demorado. Lara explica que a determinação da morte encefálica exige um protocolo de diagnóstico, que envolve a realização de exames clínicos, laboratoriais e exames complementares, como eletroencefalograma, arteriografia e ecodoppler, que duram, no mínimo, 6 horas. A comprovação da morte precisa ser assinada por dois médicos (um deles deve ser neurologista) habilitados e credenciados pelo Ministério da Saúde.
Durante esse diagnóstico é determinado também se a pessoa pode ser doador. Quem decide, entretanto, é o médico responsável pelo transplante. ‘‘Por determinação da lei, esse médico não participa do diagnóstico de morte cerebral’’, salienta a coordenadora.
A família só é comunicada e abordada para o pedido após a comprovação da morte e pode solicitar novos exames e indicar um médico de confiança para acompanhar o processo. A circulação sanguínea, os batimentos do coração e a respiração são mantidos por aparelhos e medicação. A retirada dos órgãos, como alerta Lara, precisa ser feita antes que haja uma parada cardíaca, pois ela compremete a utilização do órgão.
Já o tempo médio mínimo de duração da retirada das córneas, segundo Lara, é de 2 horas, com uma equipe composta por cerca de 8 pessoas. A retirada de múltiplos órgãos demora, em média, 8 horas, e envolve até 60 pessoas. (C.G.)

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