A pesquisadora Yvelise Arco Verde, doutora em política e sociedade e professora da Universidade Federal do Paraná (Ufpr), alerta que para o Estado e os municípios atingirem as metas dos planos de educação será necessária a reorganização dos recursos humanos, do transporte, do espaço físico e da alimentação dos alunos. "O processo não é tão simples", considera.
Para ela, a questão econômica pode inviabilizar o cumprimento das novas leis, principalmente porque o Ministério da Educação passa por um momento de corte nos recursos para programas educacionais. "O próprio Mais Educação, que norteia a educação em tempo integral, sofreu redução nos investimentos", lamenta.
Além de dinheiro, Yvelise destaca que a implantação da educação em tempo integral exige reorganização curricular para que as propostas não sejam apenas medidas de assistência social que resultem na simples guarda das crianças e adolescentes nas escolas. "A implantação depende de uma mudança de concepção da infância, pois a criança passa a ficar mais tempo na escola do que com a família. Não devem ser apenas oficinas de contraturno que podem ser retiradas a qualquer momento. As atividades devem integrar um processo educativo, com a mistura de várias linguagens, como português, matemática, música e a linguagem social. O objetivo é tornar a aprendizagem mais efetiva para a sociedade contemporânea." (C.A.)

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