PROBLEMA SOCIAL - Apoio da família ameniza dificuldades
O casamento entre adolescentes nunca é vantajoso para os meninos e meninas envolvidos. O suporte familiar, porém, parece aliviar um pouco o peso desta escolha, como relatam o técnico em informática Fábio Gimenez, de 25 anos, e a esposa Rosiellen Caetano Marques, de 23. Eles começaram a namorar quando ela tinha 15 e ele 17. Poucos meses depois, como a família da moça não aceitava o relacionamento, ela foi morar na casa de parentes de Fábio em Santa Mariana. O rapaz continuava vivendo em Cornélio Procópio, onde já morava quando se conheceram. O arranjo pareceu adequado até Rosiellen engravidar de Elen quando tinha 16 anos. "Aí não teve mais jeito, trouxe ela para morar comigo na casa da minha mãe", relata o rapaz.
"Foi um grande susto. Hoje vejo que fomos irresponsáveis, mas tentamos corrigir o máximo possível", acredita Rosiellen, que contou com a ajuda das tias e do pai de Fábio para dar conta da nova vida que impunha responsabilidades adultas para as quais não estavam preparados. "Minha mãe faleceu quando eu tinha 12 anos. Considero as tias como se fossem minhas segundas mães", elogia.
Foi graças ao apoio familiar e muita dedicação que os dois conseguiram terminar o Ensino Médio. Conciliar a faculdade que ambos começaram em Cornélio Procópio com a criação de um bebê já não foi possível, mas eles acalentam planos de concluírem os estudos assim que as condições forem favoráveis. "Como nunca quisemos terceirizar os cuidados da Elen para outras pessoas, tínhamos que abrir mão de alguma coisa. Neste momento foi a graduação, mas pretendemos retomar. Assumir muitas responsabilidades quando ainda éramos bem jovens foi difícil", relatam eles, que não pretendem ter mais filhos.
Entusiasmado pela conquista de uma bolsa de estudos pelo Prouni, Fábio vai iniciar nova faculdade, agora na área de informática. Rosiellen, que nunca teve uma experiência profissional, pensa em iniciar um curso de técnica de enfermagem para conseguir uma renda e, assim, fazer uma graduação na modalidade a distância.
A experiência de assumir um casamento e uma filha ainda tão jovens reflete na educação de Elen, hoje com 6 anos, com quem mantêm conversas francas. "Não queremos que ela tenha segredos com a gente e corra o risco de passar pela mesma experiência", garantem. (C.A.)





