Primeiro ano da pandemia fecha com alta de 18% nos óbitos em Londrina


Simoni Saris - Grupo Folha
Simoni Saris - Grupo Folha

 

Primeiro ano da pandemia fecha com alta de 18% nos óbitos em Londrina
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Londrina completou o primeiro ano da pandemia com um recorde histórico de quase cinco mil mortes. Entre março de 2020 e fevereiro de 2021, o município contabilizou 4.629 óbitos, 168 a mais do que a média dos mesmos períodos desde 2003. Na comparação com o período imediatamente anterior, de março de 2019 a fevereiro de 2020, o aumento foi de 18,4% no número de falecimentos.


Em termos percentuais, o número de óbitos computados em Londrina no ano passado representa alta de 3,7% em relação à média histórica, que sempre esteve na casa de 0,5%. Em municípios da Região Metropolitana de Londrina, o aumento no número de óbitos também foi observado, contribuindo para elevar as mortes em todo o Estado. 


O Paraná fechou o “ano da pandemia” com 81.533 óbitos - 14,5 mil acima da média dos mesmos períodos desde 2003. O crescimento foi de 21,63% ante a média histórica. Em relação ao intervalo de março de 2019 a fevereiro de 2020, o aumento foi de 8,97% .


Os dados são do Portal da Transparência do Registro Civil cuja base de dados é abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos cartórios de registro civil do País, administrada pela Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais). Os números do portal são cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base nas informações repassadas pelos cartórios brasileiros.  


Na presidência do Irpen (Instituto do Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado do Paraná) desde 2010, Elizabete Regina Vedovatto nunca havia enfrentado uma realidade como a atual. Ela reside em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba) e conta que até o ano passado, era muito comum as pessoas falecerem em hospitais da capital, onde também era feito o registro do óbito. “Agora, as pessoas estão falecendo em casa, tem moradores de rua morrendo, idosos que viviam em abrigos. Isso não acontecia. É uma situação diferente”, comentou.  


AGLOMERAÇÕES

Para Vedovatto, a relação entre as datas comemorativas e os óbitos é muito clara. Da mesma forma que profissionais de saúde relatam o aumento na procura por atendimento nas instituições de saúde imediatamente após as confraternizações de Natal, Ano-Novo e carnaval, nos cartórios a alta é proporcional. “Nosso trabalho aumenta na mesma proporção do aumento da demanda nos hospitais. Eu percebo que quando tem os feriados prolongados e as pessoas fazem aglomerações, passa uma semana, ficam doentes. Passam 15 dias, elas morrem. Nossa preocupação agora é com a Páscoa.” 


O agravamento da pandemia no mês passado fez de fevereiro de 2021 o mês mais mortal da série histórica em Londrina, apontam os dados do Irpen. No total, foram registrados 439 óbitos, 103 acima da média do período. O número foi 23,6% maior do que a média histórica dos meses de fevereiro desde 2003, com alta de 22,6 pontos percentuais. Na comparação com fevereiro de 2020, o crescimento foi de 42,5%. O Irpen congrega os 519 cartórios de Registro Civil do Estado do Paraná distribuídos por todos os municípios e distritos paranaenses.


Os efeitos da vacinação da população, segundo Vedovatto, ainda não teve reflexo no perfil dos falecidos. Os idosos continuam sendo as principais vítimas da Covid-19. “A esperança é que a vacinação ajude a conter o avanço da doença e das mortes.” 


TENDÊNCIA DE ALTA

O Irpen acredita que o número de óbitos em 2021 ainda pode crescer, assim como a variação da média anual e do período, uma vez que os prazos para registros chegam a prever um intervalo de até 15 dias entre o falecimento e o lançamento do óbito no Portal da Transparência. Além disso, alguns estados brasileiros expandiram o prazo legal para comunicação dos falecimentos em razão da situação de emergência causada pela Covid-19.   


No início do ano, o Amazonas enfrentou a pior fase da pandemia até o momento, com o colapso no sistema de saúde e o consequente aumento das mortes. Cartórios de todo o País se uniram para que evitar a interrupção dos serviços de cartório naquele estado, onde houve falta até mesmo de papel para a impressão das certidões. A preocupação do Irpen é que o mesmo aconteça no Paraná. “Tem colegas (donos de cartório) que estão com muitos funcionários doentes e nós já temos algumas dificuldades porque diminuiu o número de funcionários e aumentou a demanda por atendimentos.”  

 

Na Região Metropolitana, alta superou os 20% 

Em municípios da Região Metropolitana de Londrina, o percentual de aumento das mortes foi de quase 21%. Em Cambé, a comparação do número de falecimentos registrados no período de março de 2020 a fevereiro de 2021 com o período imediatamente anterior aponta crescimento de 20,93%. No primeiro ano da pandemia, o município registrou 728 mortes. Em relação à média histórica, iniciada em 2003, o crescimento foi de 82,1%, com 328 registros a mais.  

O crescimento também foi observado em Ibiporã. Em números absolutos, foram 400 vidas perdidas no período avaliado, superando em 6,10% os registros. Quando comparados à média histórica computada pelo Irpen, a alta é maior, de 72,9% e 169 óbitos a mais.  

Em Rolândia, foram 494 mortes no total, volume que corresponde a 10,51% dos falecimentos contabilizados entre março de 2019 e fevereiro de 2020. Ante a média histórica, o aumento alcançou os 68,67%, com 201 óbitos a mais. “A gente tem contato com a associação brasileira dos cartórios e, no início do ano, os colegas do Amazonas descreviam uma zona de horror. Achei que não fosse acontecer por aqui pelas características socio-econômico-culturais, mas a gente está entrando nessa fase na Região Sul” lamentou a presidente do Irpen, Elizabete Regina Vedovatto.  


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