Quem costuma viajar de avião sempre tem um sentimento de desconfiança quando ocorrem nevoeiros e chuvas fortes. Com a perspectiva de um El Niño mais agressivo neste ano, as chances de tempestade aumentam, crescendo também a possibilidade de mudanças nos planos de voo ou até mesmo nos pousos e decolagens. Para garantir a segurança dos passageiros e o bom funcionamento dos serviços aéreos, o setor usa de forma bastante estratégica a previsão do tempo. No Brasil, este serviço é realizado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) da Aeronáutica, que tem um serviço de meteorologia que faz previsão do tempo para todos os aeroportos do País com antecedência de 24 horas. "Além disso, mantemos vigilância constante das condições reinantes da atmosfera por meio de radares meteorológicos de vários serviços pelo País", explica o major Carlos Roberto Henriques, especialista em meteorologia do Decea.
Esta vigilância permite notificar os usuários da navegação aérea, que são pilotos, companhias aéreas, passageiros e administradores de aeroportos, sobre qualquer advento que possa ter uma interferência direta na operação.
São vários os fenômenos que afetam a circulação aérea. Um dos mais conhecidos dos passageiros é o nevoeiro, que interfere nos pousos e decolagens. "Alguns aeroportos possuem equipamentos que permitem determinados aviões - que também possuem um sistema especial - pousarem ou decolarem com visibilidade bastante reduzida. Mas são apenas alguns aviões que conseguem fazer isso", esclarece.
Também interferem no pouso e na decolagem as rajadas e ventos fortes. O major lembra que o impedimento da manobra vai depender da intensidade do vento e do tamanho e modelo da aeronave. "Cada fabricante determina os limites em que o avião pode operar. Se determinado equipamento não tem condição de pousar em um aeroporto por causa do vento, ele vai procurar uma alternativa. Nós lançamos o aviso com as características do vento e a companhia toma a decisão", esclarece.
Tempestades com relâmpagos e granizo, segundo o especialista, interferem no próprio voo. O avião tem que evitar determinadas nuvens, pois, dependendo do tamanho da aeronave, pode haver problemas. Também há avisos de turbulências indicando a região onde vai acontecer, para que o avião possa evitar essas áreas", conta.
O major destaca que não dá para saber em quais anos o El Niño vai acontecer, mas as consequências dele já são conhecidas, o que permite às companhias aéreas se planejarem para lidar com problemas que porventura venham a acontecer. Por isso, reforça que a previsão do tempo é muito estratégica para a aviação. "O avião voa na atmosfera, está sujeito ao que ocorre nela."

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