Prevenir desastres custa bem menos
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domingo, 16 de dezembro de 2012
Marian Trigueiros <br>Reportagem Local 
Prevenir, definitivamente, é melhor que remediar. Estimativas internacionais apontam que, enquanto se gastaria 1 dólar para investir em prevenção de desastres naturais, 8 dólares seriam necessários para a reconstrução dos estragos provocados por estas catástrofes sem a existência devida de medidas prévias. Especialistas ouvidos pela FOLHA dizem que tão importante quanto a reconstrução são as obras e mecanismos de prevenção contemplados, sobretudo, nos planos municipais de redução de riscos. Caso contrário, as tragédias continuarão acontecendo.
Porém, apenas 6,2% dos municípios no Brasil possuem plano de redução de riscos, segundo dados divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) de 2011. No Paraná, apenas 14 do total de 399 municípios possuem o plano. Com mais de 20 mil habitantes, estão Mandaguari, Ortigueira, Pato Branco, Ponta Grossa e Curitiba. Londrina não possui um plano municipal de redução de riscos; apenas alguns itens de áreas de zoneamento estão no plano diretor do município.
Em novembro, a presidente Dilma Rousseff lançou o Plano Nacional de Gestão de Riscos e Respostas a Desastres Naturais, também chamado de PAC Prevenção. Segundo informações do governo federal, o plano irá garantir recursos para prevenir e atuar em respostas rápidas de desastres como deslizamentos e enchentes. O total estimado é de cerca de R$ 18,8 bilhões, cuja maior parte será destinada a investimentos e obras de contenção de encostas, controle de inundações e recuperação ambiental. O restante em mapeamento de riscos e monitoramento e alertas. Os estados teriam que entregar os projetos ainda este ano.
Diretor do Centro de Apoio Científico em Desastres (Cenacid) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Renato Lima diz que é fundamental que as cidades possuam o plano de redução de riscos, o que pode diminuir em até dez vezes os impactos e danos de desastres. ''O documento deve existir para a defesa do cidadão, independentemente da disponibilidade de recursos. Não há controle sobre a natureza, e só com um plano será possível enfrentar uma situação imprevista. O maior erro dos governantes é achar que nunca vai acontecer nada em sua cidade'', pontua.
Além disso, ele ressalta que a inexistência do plano dificulta o recebimento de recursos, sobretudo, federais. ''O processo todo é muito demorado e burocrático, tem uma série de detalhes que devem ser cumpridos. Se o município não possui uma política de enfrentamento, a liberação de verba e ajuda leva mais tempo para acontecer. É importante ressaltar, contudo, que o plano não evita o desastre, mas pode reduzir consideravelmente os impactos e prejuízos, patrimoniais e, sobretudo, resguardar as vidas humanas.''
De acordo com Lima, o Cenacid sempre ofereceu conhecimento científico, com informações e sistemas de alerta, e continua atuando assim. ''Todos esses dados são repassados com antecedência aos gestores para que estes preparem a melhor forma de prevenção ou enfrentamento.'' No ano passado o Governo do Estado havia anunciado uma parceria da Defesa Civil com o Cenacid, com objetivo de otimizar as frentes de atuação. Mas, conforme o diretor, nada mudou efetivamente, ''ficando acordada a cooperação apenas em desastres maiores''.
Prejuízos
Londrina teve sua pior enchente registrada em outubro de 2011, quando o Lago Igapó transbordou na área central e região sul, fazendo com que casas fossem invadidas pela enxurrada, além de 42 pontos de alagamento e outros de deslizamentos de terra. Os motivos apontados pelo Corpo de Bombeiros foram o assoreamento do lago, o entupimento de bueiros e o subdimensionamento das galerias pluviais.
De lá para cá, foi feita a pavimentação da rua Almeida Garret, em frente à barragem do lago, um dos pontos mais críticos. Já a grande cratera da avenida Duque de Caxias continua da mesma forma. O secretário municipal de obras, Ossamu Kaminagakura, garantiu que já há recursos próprios para a obra, mas que a licitação só será realizada em 2013.


