Eugi Bete Digub Eueeubi nunca foi agredido na cidade, mas teria se ressentido com o desprezo, a indiferença e as chacotas de muitas pessoas, principalmente por causa de suas roupas e suas manias estranhas. Prefeito pela terceira vez, Brasílio Bóvis teria ganho a confiança e o respeito do andarilho por ser o único a tratá-lo com dignidade e respeito.
Quando chegou a Marilena ficou acampado num terreno baldio. Depois foi para o albergue, onde alguém teria tentado levá-lo para um hospital psiquiátrico. Bete fugiu, foi morar num posto de saúde abandonado e passou a recusar qualquer tipo de ajuda.
Como precisava reformar o posto, o prefeito construiu uma casinha para ele na Vila Operária. Bete não aceita nenhum tipo de doação da comunidade. Também não quer contato com os moradores. ''Ele só aceita o dinheiro que eu dou para comprar comida ou material de estudo e vai fazer compras em Nova Londrina (a 4 km quilômetros de distância)'', disse Bóvis.
Segundo os documentos, Euge Bete nasceu em Lima Duarte (MG). Ele não sabe a origem do seu nome. Disse que veio para o Paraná com os pais e duas irmãs e trabalhavam em fazendas na região de Umuarama. Os pais teriam morrido de doença e uma irmã, de desnutrição. Ele e outra irmã voltaram para Minas Gerais. A irmã casou e perdeu contato. Durante quase 20 anos, Bete andou por vários estados, até retornar ao Paraná há 5 anos e se fixar em Marilena.
O prefeito já tentou mudar o aspecto sujo e maltrapilho de Bete, mas ele não aceita outras roupas, nem que sejam da cor preferida dele, o vermelho. Só usa as peças que ele mesmo arrumou, ''decoradas'' com mapas do Brasil, desenhos e frases, uma delas ''lançando'' sua candidatura a prefeito em 2004.
A casa também recebeu todo tipo de inscrições nas paredes internas e externas. Os escritos misturam frases patrióticas com outras de conteúdo pornográfico e alertas para estranhos não se aproximarem. (V.M.)

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