Para a nutricionista Valéria Mortara a situação tem se agravado porque as pessoas não têm levado uma vida saudável, mas querem que o seu corpo reflita uma rotina assim. "Elas acham que se consertarem a ‘embalagem’ a felicidade estará garantida. Mas este conserto é só um paliativo. Isto não é autocuidado", alerta.
A aceitação social e familiar das cirurgias precoces e das dietas restritivas também contribui para a sua disseminação. "Todo mundo passa a achar tudo normal, sem parar para pensar nas causas de tanta insatisfação, a investigar o porquê disso e nem se propor a mudar os hábitos da família, criando uma rotina saudável para todos. Os adolescentes e jovens se deixam influenciar pelo que é divulgado na mídia e por aquilo que os amigos dizem. Se os pais não colocarem freio, eles serão capazes de cometer loucuras."
Um comportamento típico dessa fase, segundo a nutricionista, é desejar que as mudanças ocorram rapidamente, como em um milagre. Daí a grande procura pelas cirurgias plásticas. Pelo mesmo motivo, de acordo com Valéria, muitas adolescentes partem para regimes extremos. "Elas acham que simplesmente têm que fechar a boca, e não entendem que o processo de reeducação alimentar, para ser definitivo, tem que ser resultado de uma mudança lenta e gradual. Dietas restritivas levam à falta de nutrientes importantes. As proteicas, por exemplo, são desidratantes, estressam o organismo, por isso emagrecem. Mas causam uma bagunça no metabolismo."
A nutricionista esclarece que a perda de peso provocada por estas dietas é resultante da perda de músculo, não de gordura. O processo faz diminuir a necessidade calórica do organismo. "O resultado é que se a pessoa voltar a comer o que comia antes vai engordar ainda mais, criando o efeito sanfona." O ideal é que a pessoa encontre o próprio padrão de alimentação saudável, sozinha ou com ajuda de um profissional. "A dica é: coma o que sua avó comia que as chances de dar tudo certo são grandes."
Assim como outros profissionais de saúde, Valéria Mortara reconhece que em alguns casos as cirurgias são necessárias. O problema é quando há excessos na utilização deste recurso e quando se acredita que só a plástica, sem a mudança de hábitos alimentares, vai resolver o problema.
Da mesma forma, ela chama a atenção para o perigo do uso indiscriminado de suplementos e até anabolizantes por parte de garotos que querem ganhar massa muscular rapidamente. "Enquanto as meninas querem emagrecer, os meninos querem ser musculosos a todo custo, mesmo estando em fase de crescimento. Se os pais não estiverem atentos, eles tornam-se presas fáceis da indústria, que quer vender produtos quase sempre desnecessários." (S.L.)

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