Representante da comunidade do bairro Vista Bela, na Zona Norte de Londrina, o presidente da Associação de Moradores e Amigos do Residencial Vista Bela, José Silvestre Gonçalves, considerou o impeachment "um atraso no progresso". "Estamos na vigília, se houver algum corte de benefícios, vai haver manifestação do nosso descontentamento. A população não tem culpa dos desarranjos do governo", opina.
Para ele, as pessoas que "nunca comiam frango" e agora podem contar com o alimento no prato pelo menos duas vezes por semana não podem ser punidas. "Não aceitaremos retrocessos nos projetos sociais, se houver outra traição do povo, vamos nos manifestar", avisa.

Os movimentos culturais que reúnem artistas da periferia também estão preocupados com as mudanças. "Acreditamos que sofremos um golpe", diz Marcelo da Silva Belchior, do movimento Hip Hop Organizado de Londrina. A fusão do Ministério da Cultura com a Educação, para ele, significa que vai haver cortes nas políticas públicas voltadas para a cultura na periferia. "Foi tudo muito rápido, ainda não nos reunimos, mas com certeza vamos discutir ações de mobilização e apoio contra o impeachment", avisa.

Movimento negro

Tereza Mendes de Souza, que acabou de deixar a presidência do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Londrina e faz parte da Rede de Mulheres Negras do Paraná, representando a organização nos diversos conselhos em Londrina, reforça que o movimento negro está "muito apreensivo com as mudanças na política". "Em 13 anos de governo do PT houve avanços nas políticas públicas de igualdade racial, mas não podemos nos esquecer que mais de 900 jovens morrem diariamente no Brasil, vítimas da violência, sendo mais de 70% negros", denuncia.

Diante de uma realidade de "extermínio da juventude negra", Tereza reforça a preocupação do movimento em ter que negociar com um governo que, segundo ela, não se mostra aberto ao diálogo. "Estamos revendo estratégias para garantir a implementação das pautas que garantem nossos direitos. Somos mais de 50% da população brasileira, como ficarão nossas reivindicações?", questiona.(C.A.)

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