Se não conseguiu derrotar a miséria, a gorda arrecadação deu a Araucária condições de produzir monumentos ao desperdício do dinheiro público. Em 1987, o ex-prefeito Rogério Kampa (PMDB) decidiu construir um prédio de 4,6 mil metros quadrados para abrigar a prefeitura. Com cinco andares, o edifício, de vidro fumê, ainda hoje é o maior da cidade.
O ex-prefeito Rizio Wachovicz (PFL), que encerrou o mandato no final do ano passado, conseguiu obter um salário de R$ 19.082,75. O valor era 75% maior que o salário do governador Jaime Lerner (PFL): R$ 11 mil. Extrapolava em mais de 50% o valor preconizado pela Resolução 195/2000, do Supremo Tribunal Federal (STF), que limita os salários de políticos. O atual prefeito prefeito, Albanor Gomes (PSDB), reduziu seus vencimentos para R$ 12,5 mil.
Além do salário, Wachovicz está sendo acusado pelo sucessor de desviar R$ 2,46 milhões dos cofres municipais. O relatório, enviado ao Ministério Público, aponta falsificação de documentos, fraudes em licitações e superfaturamento de obras. Com uma receita de R$ 10 milhões em dezembro, Wachovicz atrasou o salário dos 3,1 mil servidores.
O advogado do ex-prefeito, Elias Mattar Assad, disse à Folha que seu cliente nega que tenha havido desvio de recursos em sua administração. Assad afirmou também que a auditoria de Gomes não tem validade jurídica, porque foi feita de maneira unilateral.

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