A violência sexual faz vítimas de todas as idades, condições sociais, sexo ou orientação sexual. Entre os homossexuais e transgêneros, porém, o preconceito – ou homofobia – é um fator que aumenta a vulnerabilidade. A opinião é da enfermeira Hellem Tchaikovski, especialista em saúde mental e que trabalha no Programa de Atendimento Humanizado a Vítimas de Abuso Sexual do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba.
Acostumada a lidar diariamente com vítimas de abuso sexual, ela observa que, entre os casos de violência contra homossexuais, o que move os abusadores é quase sempre o preconceito. "Eles se incomodam com a orientação sexual do outro e querem humilhar a qualquer custo. O prazer não vem do ato sexual, mas da submissão à humilhação", explica. O preconceito faz muitas vítimas entre as lésbicas. Hellem conta que atende muitos casos de garotas abusadas por homens que não aceitam a preferência delas por mulheres. "Eles têm o discurso de 'mostrar o que é ser homem' e cometem o abuso. São vários casos atendidos."
A enfermeira adverte que todas as situações de violência sexual devem ser denunciadas o mais rápido possível, para facilitar a coleta de provas contra os abusadores. "As pessoas não devem ter medo de notificar", enfatiza ela, que alerta também os profissionais que lidam diretamente com crianças e adolescentes, como é o caso de professores e conselheiros tutelares, para ficarem atentos à questão.
O diálogo aberto e a sustentação familiar são os maiores fatores de proteção dos adolescentes homossexuais ou com identificação de gênero diferente do sexo biológico – como é o caso dos travestis e transexuais. Para Hellem, entender e aceitar os filhos é fundamental para protegê-los das ações violentas causadas por pessoas preconceituosas. "Muitas vezes, um mediador próximo da família pode ajudar os pais a reverem suas expectativas em relação aos filhos. Não é possível que os pais não comecem a entender a diversidade."

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