O preço baixo para a comercialização da safra de milho fez com que o produtor ganhasse menos do que imaginava no ano passado, quando os preços estavam elevados. Mas em compensação, avicultores e suinocultores comemoram. Eles têm conseguido comprar o produto quase pela metade do que pagavam no ano passado. No entanto, a economia na produção do frango e do suíno não refletiu em vantagens para o consumidor, que continua pagando o mesmo valor.
A Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar) diz que este é o momento de se recuperar da crise enfrentada no ano passado. ‘‘Claro que o custo do milho interfere no custo de produção do frango. Só que agora temos de recompor perdas do ano passado’’, afirma o diretor-executivo da Avipar, Ícaro Fiechter, ao justificar por que o consumidor final não está pagando menos pelo quilo do frango.
Em 2000, o País teve de importar milho por causa da baixa produção nacional. O avicultor e o suinocultor pagaram mais caro pelo insumo. O preço chegou a R$ 14,00 a saca. Estimulado por estas cifras, o produtor deixou de plantar soja e passou para o milho. A área plantada aumentou em quase 20%, chegando a 1,8 milhão de hectares. O resultado foi uma superoferta do produto e um preço em queda. A saca está cotada em torno de R$ 7,00 graças às cooperativas que colocaram no mercado externo quase 1 milhão de toneladas.
Não fossem as cooperativas, os preços estariam mais baixos ainda. ‘‘Houve uma transferência de renda do produtor para o setor seguinte, que é o de rações, aves e suínos: Resta saber se o produtor perdeu e quanto perdeu’’, diz o técnico da Conab, Paulo César Lopes.
Somente a avicultura de corte paranaense necessita de 2,4 mil toneladas de milho, que é o principal insumo para o setor. Milho e soja representam 80% do alimento dado ao frango. A alimentação interfere em 75% do custo final do frango, conforme dados da Avipar.

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