Preço de exame dificulta controle
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de fevereiro de 2001
De Curitiba 
Atualmente, o controle sobre incidência de antibiótico nas carnes é feito pelo Programa de Controle de Resíduos Biológicos na Carne, do Ministério da Agricultura. Existe uma metodologia, reconhecida internacionalmente, que sorteia as empresas produtoras de carnes para realização de amostras, disse o chefe da Divisão de Defesa Agropecuária, Carlos Conte. No entanto, o ministério realizou exames em 5% da produção nacional. O rebanho brasileiro contabiliza em torno de 190 milhões de cabeças de bovinos, 35 milhões de porcos e 750 milhões em aves.
O restante dos produtores, mesmo não vistoriados, recebem os mesmos certificados de vistoria animal. Um estudo da Universidade Estadual de São Paulo indicam que a falha no sistema. Falta de controle em função dos custos dos exames, que são caros e, por isso, não abrangem um universo maior.
Para avaliar uma carne, uma bateria de testes é realizada, por exemplo imuno-análises, cromatografia gasosa, entre outros. O mais caro é a cromatografia, feita em apenas dois laboratórios do Brasil um em Campinas (SP) e outro em Porto Alegre (RS). O custo de uma cromatografia beira em torno de R$ 500,00. E o resultado demora pelo menos 48 horas para ser entregue.
Na pesquisa da universidade paulista, está indicado que na maioria das vezes os produtores acabam obedecendo o que estabelece a lei. Mas os exames não são direcionados para os problemas de resistências de bactérias. Na avaliação dos pesquisadores, seria preciso mudar a forma de avaliar a carne e leite.
Hoje, as avaliações do leite são realizadas com amostras de cada lote trazido aos laticínios. As próprias empresas avaliam o produto, com testes de reações com corantes, que detectam determinado nível de contaminação. E, em alguns casos, avaliações por cromatografia. A média nacional é que 1% do leite levado aos laticínios é descartado.
O índice baixo se dá pela pressão econômica. Caso seja detectado algum corpo estranho no leite já processado, os laticínios obrigam o produtor a pagar os gastos feitos no processamento, podendo ainda banir do rol de fornecedores. (I.R.)


