O pedregulho que já está quase aparente na lâmina de água do Lago de Itaipu se tornou um adversário extra para o trabalho das duas unidades do Núcleo Especial de Policiamento Marítimo (Nepom), instalando em bases náuticas localizadas em Guaíra e Foz do Iguaçu. A evaporação provocada pela onda de calor que assolou a região até duas semanas atrás e a necessidade de se reter água da bacia do Rio Paraná no Sudeste fizeram o nível descer quase três metros, um a mais que a menor cota já registrada no reservatório.
Em Guaíra, o agente da Polícia Federal, Carlos Alberto Rocha, olha desolado para a imensidão de água, de onde já se vê a vegetação antes submersa e uma ou outra pedra mais pontiagudas. Ele sabe que as patrulhas diárias do Nepom estão muito prejudicadas, facilitando as coisas para os barqueiros mais experientes contratados pelas quadrilhas. Eles conhecem o rio como ninguém e sabem onde podem passar. "Por questão de segurança e por risco de acidentes, suspendemos as patrulhas por água. Mas intensificamos as ações por terra", avisa Rocha.
A reportagem acompanhou uma destas operações pelas estradas rurais. O clima é muito tenso e qualquer pessoa encontrada pelo caminho pode estar a serviço dos traficantes ou cigarreiros. Os informantes usam celulares para avisar a chegada dos policiais. Os agentes têm que se deslocar em altíssima velocidade, em uma espécie de rali. É a única maneira de tentar surpreender as quadrilhas que, de acordo com Rocha, mantêm pelo menos 15 portos clandestinos ativos na margem brasileira. Outros tantos foram dinamitados em ações repressivas ou abandonados porque simplesmente com a seca não é mais possível chegar até eles.
Para tentar surpreender um desembarque de drogas ou cigarro, os federais observam, mesmo trafegando com o velocímetro em torno dos 100 km/h, as marcas no chão. Analisam se o rastro é recente e aceleram. Em algumas comunidades de pescadores, é comum os criminosos deixarem a carga em pequenas construções de madeira para carregar carros e caminhões durante a noite. Na operação acompanhada pela FOLHA, muitos destes casebres foram vasculhados, mas nada foi encontrado. A frustração dos policiais é evidente. Mas avisam: a caçada continuará no dia seguinte.

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