Porta de entrada - Apreensões de cocaína explodem em Guaíra
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sábado, 22 de fevereiro de 2014
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Na região onde o Paraná, Mato Grosso do Sul e Paraguai se encontram converge boa parte da tensão que domina a fronteira. Se Foz do Iguaçu é o ponto mais movimentado, com intenso tráfego de veículos e pessoas, Guaíra chama cada vez mais a atenção da repressão contra o narcotráfico e o contrabando por causa do volume de apreensões, além do formato híbrido que conjuga fronteira seca e molhada.
O posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-163, logo após a monumental ponte Ayrton Senna, é um dos locais estratégicos da Operação Sentinela, que envolve diferentes forças de segurança e que se tornou praticamente permanente nos últimos anos. Ali também transitam com viaturas possantes, os homens fortemente armados do Núcleo Especial de Operações, tropa de elite da PRF e especializados em pegar "peixes grandes". As vistorias são minuciosas. Qualquer veículo com algum sinal suspeito é averiguado, muitas vezes com partes da lataria e do interior desmontados.
O rigor tem explicação em números. E eles impressionam: de acordo com a Polícia Rodoviária Federal(PRF), foram apreendidas 66 quilos toneladas de cocaína na área de abrangência da Delegacia de Guaíra em 2013, um número 756% maior que o registrado no ano anterior, quando foram barrados apenas 7,7 quilos da droga. O crack também entra cada vez mais pela região. No ano passado, o volume da droga que não passou alcançou quase 220 quilos, contra 54,5 do ano anterior, um aumento de 303%.
Ninguém assume que a movimentação do outro lado da fronteira está relacionado a dados tão contundentes. Ao mesmo tempo, ninguém desmente que possa existir uma nova rota de tráfico viabilizado por facções criminosas brasileiras que estariam se estruturando no Paraguai, instalando inclusive um parque de refino ao norte, nas terras mais despovoadas do país.
Há quem use como argumento contrário a este tese o crescimento robusto também nas apreensões de maconha, que no mesmo período saltou de 3,7 para 11,9 toneladas, índice de crescimento de 222%. Para os céticos da conjectura de uma rota, o crescimento seria explicado pelo reforço na fiscalização o número de policiais rodoviários federais na região dobrou em alguns anos e pelo aumento no consumo do lado brasileiro. A favor dos que defendem esta tese, também estão as estatística de apreensões de carga contrabandeada: eletrônicos tiveram alta de 850% no volume apreendido, bebidas de 557% e cigarro de 124,5%.
"O que a gente pode dizer é que o Paraguai, um grande produtor de maconha, também se tornou um corredor de derivados de cocaína", afirma o inspetor Higor Braga, chefe de policiamento da PRF em Guaíra. "Antes este tipo de droga entrava mais na fronteira com a Bolívia mas não se pode dizer ainda o que está acontecendo".
Para o delegado da Polícia Federal em Guaíra, Valcley Rubens Vendramin, não é nenhuma novidade o fato de facções criminosas brasileiras atuarem em solo paraguaio. "Creio que uma nova rota é possível porque isso é algo muito dinâmico". Para o delegado, os rumores podem ter fundamento, embora ele tenha assegurado que não há nenhuma informação objetiva na instituição sobre esta possibilidade. "Contudo, existe sim a chance do refino da cocaína ter migrado para o Paraguai já que, com a forte repressão na Colômbia, as áreas produtoras ficaram mais próximas, na Bolívia e no Peru", explicou.


