O nascimento prematuro, apesar de não ser considerado um evento normal, é relativamente frequente, com incidência de 5% a 9% sobre o total de nascimentos. A informação é da pediatra-neonatologista Lígia Lopes Ferrari, chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal do Hospital Universitário (HU) de Londrina. Segundo ela, com o desenvolvimento de tecnologias e melhoria no atendimento, a sobrevida das crianças nascidas antes do tempo praticamente dobrou desde a década de 1980.
Gestantes hipertensas, portadoras de doenças de base como diabetes e a má implantação da placenta estão entre as principais intercorrências que levam à prematuridade. ''Tudo que não é normal na gestação impõe riscos'', enfatiza. A melhoria na qualidade do acompanhamento pré-natal, que identifica precocemente as gestações de risco, contribuiu para aumentar o nascimento de prematuros que, há algumas décadas, teriam poucas chances de sobreviver.
A utilização de técnicas de fertilização que favorecem as gestações múltiplas é outro fator que influencia o crescimento do índice. Gravidezes tardias, acima dos 35 anos, ou em adolescentes antes dos 18 anos aumentam os riscos para mães e bebês. Em Londrina, o aumento da sobrevivência dos prematuros fica evidente na ocupação da UTI neonatal do HU, que tem 17 leitos permanentemente utilizados. ''Estamos ampliando para 40 leitos para dar conta da demanda'', diz.
Entre as tecnologias que mais colaboram para a sobrevivência dos bebês, está a possibilidade de administrar a medicação surfactante para os prematuros. Conforme a médica, crianças que nascem muito antes do tempo têm deficiência desta substância, o que as leva a desenvolverem insuficiência respiratória.
Ela acrescenta que a taxa de sobrevida dos prematuros depende de outros fatores, como a qualidade da assistência pré-natal e a infra-estrutura do hospital de nascimento. ''O ideal é que as gestantes com risco de trabalho de parto prematuro, ou que tenham problemas graves na gestação, sejam acompanhadas em programas especializados de pré-natal e que o nascimento seja programado para hospitais que tenham UTI neonatal'', defende, lembrando que o atendimento pediátrico especializado deve iniciar logo nos primeiros minutos após o nascimento.
A sobrevida depende também do grau de prematuridade, ou seja, da idade gestacional. Uma gestação normal dura 40 semanas, mas são considerados prematuros os bebês nascidos antes de completar 37 semanas. As situações mais graves são aquelas em que as crianças nascem com menos de 32 semanas.
A médica explica que os bebês nascidos com 24 a 25 semanas de gestação têm 20% a 30% de chances de sobreviver, mas poderão ter sequelas devido à prematuridade extrema, como problemas neurológicos, visuais, auditivos ou comportamentais. Os nascidos com 28 semanas têm uma chance maior de sobreviver, em torno de 70% a 80%.

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