POR UM FIO - A luta dos bebês prematuros pela vida
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sábado, 26 de maio de 2012
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Isadora é muito pequena, mas, com menos de um mês de vida, já enfrentou adversidades que assustariam muita gente grande. Nascida prematuramente no início deste mês, depois de apenas trinta semanas de gestação, ela não pode mamar no peito da mãe ou aproveitar o melhor colinho do mundo nos primeiros momentos de vida. Com apenas 810 gramas, a garotinha foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Universitário (HU) de Londrina logo após vir ao mundo. Ficou dois dias no respirador de oxigênio, tomando um mililitro de leite a cada mamada, mas não esmoreceu diante da rotina de sondas, equipamentos e intervenções hospitalares.
Ainda na UTI, prestes a atingir um quilo, a garotinha já conquistou o direito de ficar o maior tempo possível no colo da mãe, a enfermeira Luciana Aparecida de Oliveira, 29. Esperta, chora quando tem de voltar ao berço e cresce a olhos vistos. Isadora é muito pequena, mas já dá lição. Lutadora desde o primeiro minuto que veio ao mundo, é uma menina que quer viver.
A história da pequena guerreira de olhos atentos começou com uma gravidez tranquila, planejada por Luciana e o marido Marcos Paulo de Oliveira. Por ser portadora de ovários micropolicísticos, a mãe fez tratamento para engravidar. Os exames pré-natais indicaram normalidade até o sétimo mês, quando passou a sofrer de pressão alta. Moradora de Bela Vista do Paraíso (Norte), foi encaminhada com urgência para o HU de Londrina, onde acabou internada.
No dia seguinte, com descolamento de placenta e pouco líquido aminiótico, soube que o coração de Isadora estava desacelerando. A solução foi realizar uma cesárea de emergência. Nessa hora, passou todo tipo de pensamento na minha cabeça. Só fiquei mais tranquila quando vi que ela tinha reflexos normais e estava bem.
Os dias passados no hospital são um misto de preocupação e esperança. Ouvi muito palpite negativo. Teve gente que falou para nem fazer o chá de fraldas, mas mantenho o pensamento positivo. A Isadora está bem e só precisa engordar para irmos para casa.
Coruja como todas as mães, Luciane elogia a filha. Ela é muito esperta para o tamanho, já me reconhece e chora quando sai do colo. Percebo que a Isadora tem muita vontade de viver, conta. Das iniciativas que estão ao alcance das próprias mãos, a mãe se esforça para ficar com o bebê quase todo o tempo e mantém a rotina de ordenhar o leite para alimentá-lo e garantir que a produção continue quando a amamentação for possível. Quero que ela mame por muito tempo. Não é nem questão de escolha, sei que minha filha precisa de leite materno. O futuro, por enquanto, está projetado no dia da alta hospitalar.
Milagre
A luta de Isadora já foi a mesma do pequeno Matheus, de 1 ano e 1 mês, que venceu a guerra da prematuridade depois de quatro meses internado na UTI do Hospital Infantil. Filho da dona de casa Vanessa Babler Favaro da Silva, 23, e do vendedor Paulino Bonfim de Oliveira da Silva, 32, ele veio ao mundo após a mãe, que sofre de útero bicorno, ter perdido o primeiro bebê.
Sem perspectivas de ficar grávida naturalmente, Vanessa fez tratamento para engravidar. A gravidez de Matheus - taxada de gravidez psicológica por alguns profissionais de saúde - foi descoberta aos cinco meses por um médico de outra especialidade. Segundo relata, a placenta não desenvolveu e Matheus nasceu um mês depois, com apenas 25 semanas de gestação e 540 gramas.
Ele cabia numa caixa de sapatos, recordam os familiares, que ficaram assustados com o tamanho do bebê que nem pôde receber um nome porque não havia certeza sobre o sexo. Fizemos exame de cariótipo para confirmar. Os órgãos genitais terminaram de se desenvolver na incubadora.
Os pais se apegaram à esperança e não desanimaram. A primeira grande alegria veio depois de três meses de hospital, quando o pegaram pela primeira vez no colo. Depois disso ele nunca mais ficou no bercinho, recorda a mãe.
A batalha de Matheus ficou ainda mais difícil com a contaminação por uma infecção hospitalar que levou um pequeno pedaço do dedo, considerada uma consequência pequena diante dos riscos da prematuridade extrema do nascimento.
A avó, Débora Babler, que passou pela experiência de gerar gêmeas prematuras, afirma que, apesar da própria história, temeu pela sobrevivência do primeiro neto. Quando o vimos pela primeira vez, ficamos assustados. Hoje, achamos que ele foi um milagre. Convicta da força de Matheus, que foi batizado ainda na UTI, ela acredita que o garotinho vai superar com garra todos os desafios. Não é fácil, mas vamos vencer.


