A redução no ritmo de crescimento da população brasileira em geral, aliada à menor oferta de oportunidades de empregos e serviços nos pequenos municípios, impõe uma tendência já consolidada no Paraná: a redução da população nas cidades pequenas. A pesquisa de estimativa populacional divulgada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que, dos 399 municípios paranaenses, 154 apresentaram redução de população em 2015 com relação ao ano anterior, o que representa 38% das cidades. O índice supera a média nacional, que é de 24,5% dos municípios com taxas de crescimento negativas.
A pesquisa também aponta que no Brasil o grupo de municípios com até 20 mil habitantes apresentou maior proporção de redução populacional, uma tendência que se repete no Paraná. Entre os 154 municípios que apresentaram decréscimo no número de habitantes no Estado, apenas 20 possuem mais de 20 mil habitantes e a grande maioria – 114 cidades – tem até 10 mil habitantes.
O professor Danilo Volochko, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que a perda de população é ligada ao saldo migratório negativo, ou seja, em um espaço de tempo houve mais saída do que entrada de pessoas. Segundo ele, há uma tendência de migração das cidades pequenas para as cidades maiores e regiões metropolitanas. Uma das explicações para o fenômeno é que a população agrícola migra do campo devido à mecanização das atividades, à concentração das propriedades e falta de condições técnicas e financeiras para a produção familiar em pequena escala.
Por outro lado, as pequenas cidades não conseguem absorver a própria população urbana por apresentarem uma economia pouco diversificada e bastante atrelada às atividades rurais ou a uma única atividade principal. "Os jovens emigram por motivos de estudo e de trabalho", complementa.
Volochko aponta que as consequências mais imediatas da perda de população são econômicas, pois causam diminuição do consumo na cidade e o enfraquecimento do setor de comércio e serviços, reduzindo investimentos privados e a arrecadação municipal, aumentando a dependência econômica desses municípios de fundos federais e de investimentos dos estados. "Como se trata, em sua maioria, de saída de população economicamente ativa, sobretudo jovem, com a permanência de população idosa, há o aumento do que se chama de razão de dependência da população dessas cidades menos dinâmicas", afirma. Isto significa que parte da população que permanece nessas pequenas cidades tende a ser dependente economicamente, com um aumento da proporção de idosos e de jovens ainda fora do mercado de trabalho, fazendo com que muitas famílias dependam de aposentadorias e remessas financeiras vindas de fora do município, o que limita o crescimento econômico.
Ele lembra que o envelhecimento da população é uma tendência no Brasil como um todo. Mas pondera que, com base em alguns estudos, é possível afirmar que os idosos vêm chefiando mais famílias, morando sozinhos, com ganhos tendencialmente maiores e com isso apresentando uma dependência menor em relação aos seus parentes. Por isso, aponta que o sistema previdenciário está entre os desafios para lidar com o envelhecimento da população nas pequenas cidades – e também nas maiores.
"O sistema deve garantir boas condições financeiras e de vida aos idosos", expõe. Além disso, é importante haver mudanças no perfil das políticas públicas de saúde, que deverão estar melhor orientadas para o pleno atendimento desse grupo da população. "Outro desafio é não esquecer o envelhecimento da população do campo. Garantir a superação do abandono e a integração plena dos idosos à vida social significa também incorporar os direitos dos idosos previstos no estatuto do idoso às políticas urbanas, rurais, e aos projetos culturais."

Fundo de participação

Edilson Luís de Oliveira, professor do departamento de geografia da Universidade Estadual de Londrina, esclarece que a divulgação da estimativa de população é obrigatória porque orienta a distribuição dos recursos pelo Fundo de Participação dos Municípios. "A quantidade de habitantes influencia o quanto cada município vai receber, por isso os prefeitos questionam quando há queda", explica.
Segundo ele, as migrações motivadas pela busca de empregos e serviços, no Paraná, tendem a ser entre regiões do próprio Estado. "No Norte, há a tendência de trabalhadores rurais migrarem também para o interior de São Paulo em busca de trabalho nas colheitas da cana e da laranja", diz.
No Estado, as principais culturas são mecanizadas. O que se observa no campo é a rotação entre soja, milho e trigo, que ocupam vastas áreas e empregam poucas pessoas. "As cidades que ofertam empregos industriais ou na área de serviços acabam sendo mais atrativas", ressalta.
Oliveira lembra que nas pequenas cidades os empregos urbanos acabam vinculados aos serviços públicos. Por outro lado, cita uma pesquisa realizada em Goiás que constatou aumento da procura das cidades pequenas por pessoas que se aposentam e querem uma vida mais tranquila. "O Paraná precisa realizar um estudo mais detalhado. Além da saída dos jovens, pode haver tendência da chegada de idosos às cidades menores", avalia.

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