A poluição com metais pesados do Lago Igapó, em Londrina, está causando deformidades nos peixes. Lambaris coletados no Lago Igapó 2, no início deste mês, pela professora doutora do departamento de Biologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Sirlei Bennemann, estão com os órgãos reprodutores atrofiados. Apesar de ainda não ter pesquisa conclusiva sobre o assunto, a professora faz um alerta: ‘‘Em vista de tantas alterações apresentadas, é melhor evitar o consumo de peixes pescados no lago’’.
Os lambaris, comuns em rios e lagos de todo o País, originalmente têm órgãos reprodutores alongados, mas foram encontrados no Igapó 2 com os testículos petrificados e do tamanho de um grão-de-bico. A professora explicou que os lambaris, nativos da bacia do Ribeirão Cambé, ainda não tinham apresentado nenhuma anomalia. ‘‘Esses atrofiamentos podem estar ligados à qualidade da água’’, analisou Sirlei.
Segundo ela, os lambaris, mesmo com a introdução de novas espécies de peixes no Igapó, vinham reagindo bem. ‘‘Estamos preocupados. Com certeza, nessas condições eles não podem se reproduzir’’, salientou. A pesquisadora informou que as fêmeas dos lambaris também apresentam alterações nos órgãos reprodutores.
A professora constatou que a poluição do lago e a introdução indiscriminada de novas espécies de peixes têm provocado profundas alterações na população animal nativa. Segundo os estudos, feitos no Igapó 2 desde 1987, existem oito espécies de peixes introduzidas no lago, chegando a 50% das amostras coletadas. Entre as espécies, a que melhor se adaptou é a corvina, que inclusive consegue desovar no lago.
‘‘Elas se proliferaram e substituíram as piranhas na voracidade, causando grande impacto às outras espécies’’, explicou Sirlei. As corvinas se alimentam de todos os peixes do lago, devorando exemplares de todos os tamanhos. ‘‘Eles também praticam o canibalismo’’.
Ainda segundo os estudos da pesquisadora da UEL, o guaru, peixe de pequeno porte utilizado em aquário, estabeleceu-se facilmente e já é encontrado em grandes quantidades no lago. ‘‘As pessoas esvaziam os aquários e os peixes são jogados no lago, causando e sofrendo impacto’’, comentou Sirlei. A pesquisa ainda comprovou que as tilápias e pirambebas (piranhas) também conseguem desovar no Igapó. As tilápias, conforme estudos realizados pelo Departamento de Biologia Animal da UEL, estão com larvas de parasitas nos olhos.
Em uma coleta realizada em março, algumas espécies nativas de lambaris não foram encontradas. ‘‘Elas podem ter desaparecido, mas a resposta definitiva depende de novas coletas’’, afirmou a pesquisadora. Ela informou que espécies como curimba, barbado e piapara não conseguem desovar, mas ainda são encontradas porque a população continua jogando exemplares no lago.

mockup