A Folha apurou que os inquéritos policiais militares abertos para investigar a participação de sete policiais do 5º BPM em atentados contra a vida, em três casos de grande repercussão na cidade, ainda não resultaram em punições e os envolvidos continuam trabalhando normalmente.
Os policiais Paulo Roberto Daniel, que no dia 6 de abril deste ano baleou e deixou paraplégico o garoto Jony Torres Otávio, 16 anos; o tenente João Rodrigues Feitosa, o sargento Adolfo Antônio de Lima e os soldados Rodrigo Ferreira Barbosa, Sidnei Aparecido da Silva e Sérgio Fontaneti, do Pelotão de Choque, que participaram de uma operação que resultou na morte do comerciante Nelson Félix de Mello, em maio deste ano, não foram afastados de suas funções nem proibidos de usar farda.
Mas o caso mais flagrante de distorção é o do policial Reginaldo Fortunato - que no dia 7 de fevereiro de 2000, fora do horário de serviço e à paisana, matou um e feriu gravemente quatro pessoas, durante uma festa em Paiquerê. Fortunato - que confessou os crimes - respondeu apenas a um sindicância interna no 5º BPM, foi afastado temporariamente de serviço ostensivo, mas já está de volta às ruas. Segundo o comando do 5º BPM, o policial não teria cometido crime militar - não estava a serviço - , devendo responder apenas à Justiça comum.
Desses três casos, apenas os dois que tiveram IPMs instaurados chegaram à Auditoria Militar, em Curitiba. Pelas normas da corporação, todos os inquéritos em que há indícios de crimes militares precisam passar pela Auditoria. Ali, um promotor militar decide se apresenta ou não denúncia contra os indiciados. Se decidir pela denúncia, o promotor os encaminha então para a Justiça comum ou Militar. Desde 1996, com a promulgação da lei 9.299, a PM perdeu a competência para julgar crimes dolosos contra a vida praticados contra civis.
Segundo o sargento Soares, auxiliar de cartório da Auditoria Militar, os dois processos deverão ser conduzidos pela Justiça comum. Ele disse que o processo contra o policial Paulo Roberto Soares já foi encaminhado ao Cartório Distribuidor do Fórum de Curitiba, que deverá encaminhá-lo para o Fórum de Londrina.
O processo contra os cincos policiais envolvidos na morte de Nelson Félix de Mello também será encaminhado ao Cartório de Curitiba nos próximos dias. De acordo com o sargento, a Auditoria tem em mãos cinco inquéritos por homicídio contra o tenente Feitosa. (T.E.)

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