Infarto. Esse foi o resultado da rotina vivida por um policial que prefere não se identificar. Há 17 anos na corporação, o policial conta que o dia-a-dia da profissão é extremamente agitado, mas revela que não são apenas o cotidiano violento das ruas e nem o contato direto com marginais que representam fatores estressantes. Para ele, a pressão sofrida dentro do próprio comando e a necessidade de obedecer ordens muitas vezes arcaicas são pontos favoráveis para que o profissional desenvolva um alto nível de estresse.
Ao contrário do que afirma a PM, o policial conta que não existe um acompanhamento periódico da situação psicológica da corporação. Ele denuncia também o preconceito existente dentro do comando para quem procura ajuda psicológica. E quando o superior encaminha para tratamento, revela, é porque a situação já está fora de controle.
Para o policial, a PM deveria realizar avaliações semestrais, a exemplo do que acontece em algumas empresas de ônibus. ‘‘No nosso trabalho, muitas vidas estão em jogo’’, salienta, ressaltando a importância de um acompanhamento psicológico constante, principalmente para os policiais que trabalham nas ruas.
Mas se a rotina dos policiais nas ruas é estressante, dentro do comando a realidade não é muito diferente. Os profissionais precisam se adaptar ao chamado RDE (Regulamento Disciplinar do Exército), com 138 itens punitivos. Condutas que não se enquadram nesses itens, são classificadas no ‘‘artigo 13’’, o que significa que os policiais estão todo o tempo expostos à punições.
Policiais entrevistados pela reportagem e que preferem não revelar seus nomes são categóricos ao afirmar que existe abuso de poder dentro da corporação, o que contribui para um ritmo de vida estressante e consequentemente prejudicial à saúde. (K.M.)

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