Polícia evita confronto e registra vândalos
A atuação da Polícia Militar nos três protestos feitos pelo Movimento do Passe Livre causou discussão nas ruas e nas redes sociais. De um lado, aqueles que ficaram decepcionados com a postura passiva da força de segurança, que não interveio durante os momentos de maior tensão, quando ônibus foram parados e evacuados, alguns deles depredados, quando prédios públicos foram pichados ou quando foi ateado fogo em sacos de lixo. Do outro lado, manifestantes e simpatizantes da causa se mostraram indignados com as dez prisões (por dano ao patrimônio ou por desacato) e com uma suposta truculência dos policiais na parte final da passeata.
"Não queremos confronto, queremos apenas que a manifestação ocorra. Não estamos em uma guerra", garante o porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar, capitão Ricardo Eguedis. "A polícia amadureceu no Brasil com os protestos de junho. Foi um aprendizado de como lidar com situações limite", afirmou. "Entendemos que os danos materiais são reparáveis, mas um confronto generalizado pode causar danos irreparáveis. Por isso, adotamos apenas a primeira etapa da ação de policiamento, que consiste em visualizar, verbalizar e conter".
O capitão afirma que a estratégia de documentar a ação com filmagens mostra que hoje a PM tem trabalhado mais com a inteligência na investigação do que na repressão direta. Nas três manifestações deste ano, foram usados policiais sem farda, chamados de P2, para fazer o monitoramento do evento. As imagens deverão ser enviadas ao Ministério Público para que os crimes cometidos pelos manifestantes não fiquem impunes. Outro ponto da estratégia policial é o acompanhamento das redes sociais.
A polícia afirma que já tem "evidências" que nas manifestações deste ano houve comunicação entre o Comitê Passe Livre e os radicais, que cobriram o rosto para cometer crimes contra o patrimônio público e particular. "As investigações vão prosseguir e eles eventualmente poderão ser responsabilizados cível e criminalmente", afirmou o oficial.
O comando da Guarda Municipal também preferiu acompanhar e registrar a ação e está analisando as imagens. O chefe da corporação, Rubens Guimarães, argumentou que a postura é estratégica e prevalece para evitar o confronto. O promotor de Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, condenou a violência, mas exaltou os protestos. "Vandalismo não vai resolver o problema mas, sim, temos que pressionar as autoridades por serviços públicos melhores de maneira pacífica. O brasileiro faz pouco isso e está mudando de postura. Isso é positivo." (L.F.M.)





