Há cinco anos trabalhando como profissional do sexo, Vivian (nome fictício), de 24 anos, anuncia suas fotos e telefone num site local. Com um faturamento líquido que ela garante ser melhor que o salário de muita gente bem-sucedida, não pretende registrar a profissão em carteira, caso a prostituição seja regulamentada. ''Já pago a Previdência Social como autônoma. Se eu fosse recolher sobre o que eu realmente ganho, teria de recolher muito imposto'', afirma.
Outro motivo pelo qual a jovem diz não ter intenção de registro em carteira é o preconceito. ''Estou fazendo faculdadade porque não pretendo e nem vou conseguir fazer programa o resto da vida. Infelizmente, as pessoas ainda relacionam nossa profissão a drogas, bebidas e balada. E isso pode me atrapalhar muito no futuro quando tiver outro emprego.''
Enquanto isso, Vivian atende em local próprio e tudo o que ganha não precisa dividir com ninguém. ''Há agências que cobram metade do que a menina recebe. Pelo site, só pago uma mensalidade da internet, além de ter muito mais discrição, pois não fico exposta em boates.'' Durante a temporada, Vivian viaja com um grupo de mulheres para trabalhar no Nordeste brasileiro, onde está atualmente.

'Não é safadeza'
Aos 60 anos de idade e 15 de profissão, Valentina (nome fictício) conta que começou a fazer programas por sobrevivência. Tendo apenas o antigo primário e trabalhado somente em casa durante toda a vida, foi abandonada pelo marido com três filhos. ''Cheguei a trabalhar como doméstica, mas ganhava muito pouco e era explorada. Sem emprego, meus filhos foram morar com a família do meu ex-marido. Passei fome e frio, até que comecei a fazer programas'', relembra.
Depois de todo esse tempo, continua na informalidade e sem pagar nenhum tipo de contribuição previdenciária, já que o que ganha não é bastante. Ainda assim, se preocupa com a aposentadoria e diz que é a favor da legalização da profissão. ''Já fui muito criticada em minha vida por ser profissional do sexo. Acredito que o registro em carteira faria a sociedade entender melhor que programa não é safadeza, não é roubo.''

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