POLÊMICA - O melhor dos mundos
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sábado, 12 de novembro de 2016
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

Ensino médio técnico integrado, com qualidade na oferta das treze disciplinas do núcleo comum que prepara os alunos para cursar o ensino superior e também garante a chamada formação humana e educação técnica que prepara para o mercado de trabalho com a perspectiva da especialização e do empreendedorismo, muito além da simples formação de mão de obra. Assim é a proposta do Instituto Federal do Paraná (IFPR), que em Londrina oferece ensino médio técnico integrado nas modalidades de Informática e Biotecnologia.
Para garantir a abrangência de tantas frentes, os alunos enfrentam, por quatro anos, uma rotina de seis aulas diárias e muitas atividades realizadas no contraturno. "As disciplinas básicas contemplam matemática, linguagens, ciências da natureza e ciências humanas. Já a educação técnica visa formar profissionais com foco em inovação tecnológica, empreendedorismo e também pesquisa", explica o professor Jefferson Hachiya, coordenador do ensino médio integrado à informática do instituto, que critica o formato de educação técnica e profissionalizante prevista na MP do governo federal.
Segundo ele, a proposta é que os estudantes cursem um ano e meio de disciplinas do núcleo comum e o mesmo período de curso técnico. "Esta fragmentação não garante qualidade em nenhuma das frentes", afirma.
As notas do Enem de 2015 indicam que a formação básica dos alunos do IFPR tem sido satisfatória, visto que a instituição foi a primeira melhor colocada entre as escolas públicas em Londrina, com pontuação superior à maioria das escolas particulares. Além disso, no ano passado, entre os 29 alunos que se formaram, 24 foram aprovados em instituições públicas de ensino superior. O coordenador lembra que 80% dos professores do ensino médio possuem mestrado ou doutorado, o que faz toda a diferença.

André Luiz Camargo, de 17 anos, está no terceiro ano do ensino médio integrado à informática e já sabe o que quer para o futuro: continuar na área de programação, fazendo faculdade de ciências ou engenharia de computação. "Foi uma professora que observou meu perfil para escola técnica e deu a dica do instituto para os meus pais", conta ele, que participa de projetos de robótica, jogos digitais e de um projeto com bolsa de iniciação científica, realizado na Universidade Estadual de Londrina (UEL), sobre análise de biodiesel.
"Fico na escola das oito da manhã às oito da noite, mas não reclamo porque é muito divertido", diz ele, que também gosta das viagens que realiza com os colegas com apoio do IFPR. As mudanças previstas na MP da reforma do ensino médio preocupam o estudante, que teme principalmente pelos colegas mais novos e também pelos que ainda nem chegaram nesta fase da vida. "Não acho certo mudar um modelo que funciona bem", opina.
Vivian Marcucci Perez Dias, de 18 anos, está finalizando o quarto ano e já foi aprovada para a segunda fase do vestibular da UEL, apesar de não ter estudado especificamente para o concurso. "Quis testar os conhecimentos que adquiri aqui no instituto", conta ela, que foi "obrigada" pela mãe a entrar na escola técnica. "Eu achava que aqui só teria nerds, mas me surpreendi. A escola é muito legal, indico para todo mundo", diz ela, que considera "gratificante" participar de projetos e passar o dia todo na escola. Certa de que está fazendo boas escolhas na vida, a estudante teme que, com a reforma do ensino médio, outros estudantes não tenham a mesma sorte. "O IFPR não pode mudar", pede.

Oportunidade
Para os pais dos alunos matriculados no "IF", como chamam carinhosamente a escola, a oportunidade oferecida aos filhos deve ser fundamental para garantir boas oportunidades também no futuro. Os funcionários públicos Tatiana e Nilson Ramires estão certos que o filho Rafael, de 18 anos, está recebendo uma boa base educacional e também chegará ao mercado de trabalho com um perfil empreendedor. "Ele já desenvolveu vários aplicativos", conta a mãe, que também realizou o curso técnico em saúde bucal na instituição.
Márcio André Ribeiro, pai de Paola, de 18 anos, é educador da rede pública e vê diferenças entre a educação recebida pela filha e a ofertada para os estudantes da rede estadual, principalmente em relação à carga horária, que é de 3,6 mil horas anuais durante quatro anos no instituto e 2,4 mil horas anuais por três anos nas escolas regulares.
Ele conta que a filha já passou para a segunda fase do vestibular da UEL em Psicologia e garante que, apesar da inclinação para as ciências humanas, ela recebeu uma formação básica de qualidade que a preparou para o ensino superior nesta área.
Pai de Vivian, o corretor de imóveis Delvo Aparecido Dias conta que insistiu para a filha cursar o IFPR porque morou em Campinas, que tem uma tradição grande em escolas técnicas integradas, e sabia das vantagens deste tipo de educação. "Acho bom que a escola ofereça contraturno para tirar dúvidas e fazer trabalhos. Vivian está bem preparada para cursar a universidade", acredita ele, que elogia também o senso de responsabilidade que a escola ajudou a desenvolver na filha.


