POLÊMICA - Nas ruas, armamento divide opiniões
Nas ruas, a flexibilização do Estatuto do Desarmamento divide opiniões até mesmo entre membros da mesma família. Lúcia Mendes e Luciana Carvalho são mãe e filha e discordam quando o assunto é o acesso facilitado às armas. "Se há facilidade, os marginais é que vão ter acesso", opina Luciana, que não é favorável a uma sociedade mais armada. "Gente de bem não vai querer ter armas. Isso não é defesa para ninguém, só facilita que ocorram tragédias", completa.
Lúcia, ao contrário, acha que as pessoas devem ter o direito de portar armas para se defender. "Num carro, por exemplo, uma pessoa armada pode evitar um assalto", acredita ela, que mesmo com a possível mudança na lei não tem intenção de adquirir uma arma. "Não sei usar, o que pode causar uma tragédia. Mas defendo o direito de quem sabe lidar com as armas de poder portar", afirma.
Ainda assustado pelo assalto praticado por dois homens armados contra a sua filha, durante a semana passada, o empresário Álvaro Loureiro Junior não apoia qualquer iniciativa que facilite o acesso a armas. "Levaram o carro e dois celulares, mas a vida foi preservada, o que é mais importante", acredita ele, que já sofreu 12 assaltos nas lojas que possui em Londrina e sempre orienta os funcionários a não reagirem. "Armas não defendem ninguém, só fazem estrago e facilitam situações como o ataque ocorrido a uma boate nos Estados Unidos, onde morreram muitas pessoas", lamenta.
Em acordo com os críticos da flexibilização da lei, ele discorda dos argumentos de que a posse e o porte de arma podem preservar a vida em um conflito. "O assaltante sempre vai ser o elemento surpresa. Numa situação dessas, se a vítima reage, pode até acertar um inocente", considera.
Rafael Alexandre Lemos trabalha como segurança de loja e defende que as pessoas tenham o direito de possuir armas em casa, mas não que possam portá-las em locais públicos. "Nas ruas, já tem a polícia para defender a população", opina.
Para ele, mais importante que ter acesso a armas seria o investimento no treinamento para policiais, guardas municipais e outros profissionais da segurança pública para que soubessem usá-las. "Profissionais treinados é que podem salvar vidas", diz. (C.A.)





