POLÊMICA - Na Espanha, flexibilização tenta combater tráfico
O psicólogo Emerson Vicente da Cruz, de 35 anos, é formado em História pela Universidade Estadual em Londrina (UEL) e Psicologia pela Universidade de Barcelona (UB), na Espanha. Vivendo na cidade catalã há muitos anos, ele conhece bem a realidade local, onde as leis sobre drogas são mais flexíveis. Atualmente trabalhando como pesquisador na UB, realiza estudos doutorais sobre violência escolar e defende que, nas discussões sobre descriminalização, não basta simplesmente comparar uma realidade sociocultural ou leis que são aplicadas em outros países. "O problema das drogas no Brasil ultrapassa questões históricas, sociais, políticas, educacionais e éticas, mas não acho que uma lei mais flexível vá influenciar no consumo e porte de drogas", opina.
Em Barcelona, ele conta que existem "associações de Cannabis", onde as pessoas podem portar uma quantidade limitada de maconha para o consumo próprio. "Com isso, os usuários não precisam recorrer ao tráfico ilegal e também não ocorre o consumo em vias públicas, uma vez que existem lugares apropriados para esse tipo de atividade. Essas políticas dificultam o tráfico ilegal de drogas, um delito tipificado no Código Penal na Espanha", relata ele, lembrando que nestes locais é proibida a entrada de menores de idade. "Possivelmente, a aplicação de políticas como esta poderia ser uma maneira de combater o tráfico de drogas ilegais no Brasil", acredita.
Com relação ao porte de drogas, ele explica que na Espanha o consumo ou o porte de qualquer tipo de substância em vias públicas supõe uma sanção que pode oscilar de 300 a 30 mil euros. "Uma pessoa dificilmente será presa por esta razão, exceto se a quantidade de drogas for considerável. Isso impede o consumo e porte de drogas nas ruas", afirma.
Cruz ressalta que o consumo e o abuso de drogas podem provocar várias consequências para a saúde psicossocial dos usuários, aumentando o risco de problemas como ansiedade ou depressão. "Outras consequências são as constantes faltas na escola e o abandono escolar prematuro, aumentando o risco de exclusão social. Por esta razão, as pessoas devem ser educadas sobre o tema e conhecer as consequências que o consumo e abuso de drogas pode provocar, de forma natural e desde a primeira infância", destaca.(C.A.)





