Felippe Angeli, assessor para advocacy do Instituto Sou da Paz,reconhece que os homicídios são um fenômeno complexo explicado por vários elementos associados, mas um deles é a disponibilidade de armas de fogo. Ele destaca que uma parte relevante dos homicídios não está relacionada à criminalidade "mais dura", mas a reações exacerbadas de pessoas "comuns" que, de posse de uma arma em situação de conflito, perdem a cabeça e cometem o crime.
Angeli teme que, com a facilidade de acesso a armas, discussões banais possam mais facilmente terminar na morte de alguém. Outro risco do projeto, apontado por ele, é a redução da idade mínima para comprar uma arma para 21 anos, ao invés dos atuais 25, justamente na faixa etária que engloba maior número de vítimas de homicídios. "Os jovens são mais impulsivos", aponta ele, que também discorda da mudança que propõe a licença permanente, extinguindo a necessidade de renovar o registro. "Temos que renovar a carteira de motorista, mas não o registro de posse de armas? A arma pode ser roubada, acabar na criminalidade. É uma questão séria, porque tira o controle sobre a circulação", acredita.
Por fim, o assessor de advocacy critica o conceito de permitir o porte de armas para defesa patrimonial, que segundo ele não é autorizado pela Constituição. "O que é defesa patrimonial? Defender o patrimônio na bala? Alguém rouba meu carro e posso atirar?", questiona, lembrando que legítima defesa é o revide na mesma proporção da ameaça que sofre, o que não cabe em muitos casos de ameaça ao patrimônio. (C.A.)

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