Poder público não consegue combater a pobreza
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sábado, 02 de junho de 2001
Telma Elorza De Londrina 
A secretária municipal de Ação Social, Maria Luíza Rizotti, diz que a questão da pobreza no Brasil sempre foi tratada como uma questão de filantropia. Até a promulgação da Lei Orgânica de Assistência Social, em 1993, não existia políticas e ações criteriosas para o enfrentamento da miséria e a compreensão de que o pobre tem direitos sociais. A partir da Lei Orgânica, começou haver um maior profissionalismo na assistência social porque ela apontou que vocês, município, Estado, País, são responsáveis, explica.
Segundo ela, porém, a situação chegou a tal ponto que, atualmente, o poder público sozinho não consegue combater a pobreza. É a consequência do modelo capitalista. E só podemos pensar em uma diminuição da miséria se tivermos investimentos maciços dos fundos públicos nas três esferas de poder em políticas sociais, principalmente em programas voltados para geração de renda. Infelizmente, o Estado como um todo está quebrado. E área social nunca foi prioridade, principalmente na esfera federal, critica.
Por isso, segundo ela, é importante que a sociedade organizada participe da luta. Até por uma questão de cidadania. Eu não consigo imaginar alguém que consegue comer sossegado sabendo que tem gente, na mesma cidade passando fome, afirma.
De acordo com Maria Luíza, a Prefeitura de Londrina está cumprindo sua parte, dentro de suas possibilidades. Com um orçamento estimado para este ano em cerca de R$ 10 milhões sendo que 60% do dinheiro destinado ao Fundo Municipal de Assistência Social e gerido pelo Conselho Municipal de Assistência Social, que o respassa às organizações não-governamentais , a secretaria vem desenvolvendo linhas de ações prioritárias em dois campos de intervenção: o atendimento à criança e ao adolescente e o enfrentamento à pobreza.
No atendimento à criança e ao adolescente, a secretaria desenvolve a maioria das ações de apoio sócio-educativo junto às famílias. Não podemos atender a criança e esquecer o núcleo que ela está inserida. Além disso, estamos com programa de proteção especial para atender aquelas crianças com condições agravadas e que perderam vínculos familiares.
O programa Bolsa-Escola, instituido há pouco tempo pela prefeitura é uma das ações concretas já realizadas, explica a secretária. Já existiam os programas estadual Da Rua Para a Escola e federal Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), mas ambos estão com atraso de cinco meses no repasse, aponta.
Na área de enfrentamento à pobreza, Maria Luíza diz que 16 assistentes sociais acompanham os 31 bairros mais carentes da cidade. Elas trabalham com a comunidade estratégias de sobrevivência oferta de cestas básicas e assessoria e organização do bairro em torno de alguma aitividade de geração de renda, seja coleta seletiva de lixo, seja hortas comunitárias ou a produção de artesanato, aponta. (T.E)


