Londrina completa 90 anos em 2024, mas pessoas e organizações da sociedade civil já vislumbram o que será a cidade em seus próximos aniversários. Este é o caso do Fórum Desenvolve Londrina, que nasceu em 2005 como um movimento de lideranças da cidade visando o centenário, que será em 2034.

Naquele período, a ideia era repensar o futuro econômico da cidade, que conforme os fundadores do Fórum estaria “estagnada”.

“É uma organização propositiva e hoje são 30 entidades que participam. Trabalha-se visando o centenário da cidade. Um exemplo são os quatro eixos que visam a evolução, que é a parte da sociedade civil organizada, o poder público, a academia e o terceiro setor. Um grande diferencial que o Fórum Desenvolve Londrina tem é a diversidade de opiniões e as propostas de desenvolvimento muito reais”, explicou Nicolás Mejía, presidente do Fórum Desenvolve Londrina no biênio 2024-25 e também coordenador do Grupo de Trabalho do Aeroporto. Mejía é superintendente do Grupo Folha de Londrina.

Nicolás Mejía, presidente do Fórum Desenvolve Londrina : “É uma organização propositiva e hoje são 30 entidades que participam."
Nicolás Mejía, presidente do Fórum Desenvolve Londrina : “É uma organização propositiva e hoje são 30 entidades que participam." | Foto: Sérgio Ranalli

O modelo do fórum é baseado em análises de indicadores, que mostram a evolução ou não de setores da cidade. Com as ideias propostas, a execução fica por parte justamente das entidades que compõem o conjunto.

“São várias propostas implantadas nos últimos anos. Hoje temos um sistema de inovação que é forte em Londrina. Foi uma proposta do Fórum Desenvolve Londrina estudar cada uma dessas áreas e criar esse ecossistema. Hoje Londrina é um exemplo de nível nacional. Tivemos também uma proposta para aumentar o número de engenheiros formados na cidade. Eram poucos engenheiros formados aqui, precisávamos aumentar isso. Foi atacado pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e pelas universidades privadas. Quadruplicou o número de engenheiros em relação ao que tínhamos”, seguiu Mejía sobre as conquistas já alcançadas pelo fórum.

Uma proposta que saiu do Fórum Desenvolve Londrina e que também visa o futuro da cidade é o Masterplan, plano estratégico de longo prazo que começou em 2021 e que visa ajudar no desenvolvimento de vários setores da cidade até 2040.

Masterplan

O Masterplan se coloca como um "plano da cidade" e não como um plano de governo, ou seja, visa discutir os problemas de Londrina com qualquer que seja a administração municipal.

Executivo do Masterplan, Diego Menão, diz que o plano não é de governo e visa discutir os problemas de Londrina com qualquer que seja a administração municipal
Executivo do Masterplan, Diego Menão, diz que o plano não é de governo e visa discutir os problemas de Londrina com qualquer que seja a administração municipal | Foto: Divulgação

“O Masterplan é um instrumento de planejamento de longo prazo da cidade e do município como um todo e tem como objetivo apontar iniciativas principais que a cidade tem que executar até 2040. É uma política que vai servir para nortear o futuro para que possam implementar as premissas que estão ali, que são os objetivos, mudar a vida da sociedade. Tem ações de todas as áreas, desenvolvimento econômico, educação, gestão, saúde, cultura, o centro da cidade, tem ali um olhar bem global que uma cidade como Londrina tem”, indicou Diego Menão, executivo do Masterplan desde agosto de 2023.

“Fazendo um balanço, nós chegamos ao fim da primeira fase do ciclo dos 20 anos, então estamos no quarto ano do Masterplan. Temos acompanhado sistematicamente as iniciativas que estão em andamento. Conversamos com atores públicos e privados que possam ser relevantes para que o projeto saia do papel.”

Necessidades da cidade

Projetando o futuro de Londrina, o Masterplan já iniciou um projeto de revisão dos estudos iniciais. Segundo Diego Menão, isso deve ser feito em 2025 para que o planejamento não se descole de uma visão futura da cidade, buscando renovar quais são as principais necessidades de Londrina.

Atualmente, o planejamento engloba 79 projetos estratégicos, que se dividem internamente e chegam a 370 ideias e ações por todo o município. Conforme o executivo do Masterplan, porém, nem todas as idealizações são simples de serem executadas em Londrina.

“O sistema de saúde é complexo em qualquer circunstância. Temos várias iniciativas que envolvem o aspecto da saúde. Tem o desenvolvimento econômico, que isso passa pela indústria, turismo, a economia criativa que deve ser ainda mais relevante, é um celeiro de talentos e precisa de uma força tarefa complexa. Você não industrializa a cidade de um dia para o outro. São várias coisas para que as indústrias venham para cá e sejam saudáveis para a região, gere riqueza, transformação, aproveite talentos, que gere benefícios ao município”, disse o atual responsável pela gestão do Masterplan.

“Por fim, outro aspecto é a transformação digital na gestão pública. É ter órgãos que estejam melhor preparados para o atendimento à população, com mais agilidade, rapidez, assertividade e entender os anseios dessa população. É uma necessidade que a gente tem e é super complexa.”

Em relação ao que já foi concebido pelo projeto está o grupo de trabalho do Centro de Londrina, que reúne empresários, moradores, acadêmicos, imprensa, prefeitura, entre outros atores diretos e interessados, visando a retomada do protagonismo da região.

Segundo Diego Menão, também há um trabalho pelo desenvolvimento empresarial de Londrina, visando especialmente a área da inovação.

“No campo do desenvolvimento empresarial temos as governanças de inovações ativas trabalhando para termos uma cidade mais antenada com as exigências do mundo atual, que gere mais empregos, que conheça os atalhos em conjunto com a academia e com o mercado”, afirmou o executivo.

Inspirada no Vale do Silício, organização impulsiona setor de inovação

Quanto à inovação e seus avanços na cidade, o Estação 43, antigo Ecossistema de Inovação de Londrina, é o responsável por mobilizar o setor e também a área de tecnologia da região.

Segundo Lúcio Kamiji, presidente do Estação 43, a ideia tem como inspiração o Vale do Silício, nome dado a uma parte da baía de São Francisco, na Califórnia, que abriga empresas de inovação e alta tecnologia.

Lúcio Kamiji, presidente do Estação 43: "Nós fomos referência em café, agora estamos buscando ser referência em tecnologia e inovação"
Lúcio Kamiji, presidente do Estação 43: "Nós fomos referência em café, agora estamos buscando ser referência em tecnologia e inovação" | Foto: Divulgação

“A ideia é desenvolver Londrina e região como um todo lá na frente. É ter uma boa referência em Londrina sobre inovação. Nós fomos referência em café, agora estamos buscando ser referência em tecnologia e inovação. E não só em equipamentos, as pessoas pensam muito em hardware. Pensamos em um processo, modelos de negócios. A grande conquista que temos aqui foi justamente a união do setor produtivo, reunindo Acil, Sebrae, para estudar nosso ecossistema de inovação, que começou em 2017 com estudos e em 2018 foi entregue, ajudando a nortear o projeto”, afirmou Kamiji.

Cinco verticais

O Estação 43 trabalha com cinco verticais: o TIC (Tecnologia da Informação e Comunicações), o agronegócio, a saúde, o eletrometal mecânico, e químicos e materiais. Entre elas, as áreas de TIC e de saúde já tinham governanças próprias, enquanto as outras passaram a se estruturas a partir de 2018. Segundo Lúcio Kamiji, outra conquista do projeto é ter estruturado as governanças, aumentando para 12 o número atual.

“Temos outros ganhos como um estudo que tem como objetivo fazer a gestão dos ativos de inovação de Londrina. Para isso, nasceu com o pensamento de se transformar em uma OS, que é uma Organização Social. Há uma lei e dentro dessa lei há uma série de regras que o poder público tem que estar junto com a gente. Unidos ao instituto já temos a UTPFR, a UEL (Universidade Estadual de Londrina), o CPD, e futuramente temos que remeter uma solicitação aos vereadores para a entrada da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), pensando em fazer a gestão pública ligada ao município. Seria a gestão dos ambientes públicos, facilitando essa questão, que é mais amarrada, que falta agilidade. Essa parceria público-privada já existe em cidades como São José dos Campos, que conta com um parque tecnológico que também é uma OS. Estamos na fase de conclusão de aceite. Acredito que no início de 2025 a gente já tenha oficialmente o instituto formalizado, ainda não como OS, mas com seu estatuto aprovado”, registrou o presidente do Estação 43.

Sebrae

As organizações da sociedade civil que buscam atuar junto ao poder público em Londrina contam com o apoio do Sebrae em suas realizações. Segundo o coordenador regional, Rubens Negrão, atualmente o Sebrae está em projetos como o Compra Londrina, junto ao poder público, que estimula que o município compre de micro e pequenas empresas, além de ter o comitê local de micro e pequenas empresas.

"Temos uma participação ativa em todas as governanças da cidade, que estão em nossos ecossistemas de inovação", destacou Rubens Negrão.

Rubens Negrão, coordenador regional do Sebrae
Rubens Negrão, coordenador regional do Sebrae | Foto: Roberto Custódio

"Nós somos convidados também por entidades e lideranças para participar de alguns movimentos, como o Fórum Desenvolve Londrina, o Núcleo Empresarial, o comitê do Masterplan. São esferas de lideranças onde estamos lá sempre com viés técnico, para entender como o Sebrae pode contribuir com o desenvolvimento local nessas instâncias."

Ainda conforme o coordenador regional do Sebrae, o foco para o futuro é a manutenção e fortalecimento de Londrina como uma cidade inovadora e que apresenta oportunidades para empresas do setor de tecnologia e informação. Em meio a isso, destacou a necessidade do fortalecimento de empreendedores de micro e pequenas empresas.

"Para 2025 queremos estreitar ainda mais a parceria com o poder público, de levar o atendimento aos microempreendedores individuais nas diversas regiões da cidade", concluiu Negrão.

`Quando todos estão unidos em Londrina, ela vai ser respeitada´

O prefeito eleito de Londrina e atual deputado estadual, Tiago Amaral (PSD), foi um elo entre a sociedade civil organizada e o poder público ao coordenar a Comissão de Desenvolvimento e Infraestrutura Norte do Paraná.

O projeto reuniu uma série de entidades interessadas no assunto e culminou no auxílio pela realização de diversas obras em Londrina, nos últimos anos.

“Foi uma estratégia que foi realizada ao lado de várias entidades, que em um primeiro momento envolveu Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Ceal (Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina), Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil), Associação Médica de Londrina, entre outras. A visão foi como colocar todo mundo e todas as forças de Londrina, sociedade civil, poder público, no mesmo propósito e mesmo objetivo. Vinha sendo uma reclamação muito grande, uma sensação de que o governo não colocava recurso, de falta de investimento em Londrina, e eu cheguei a isso, que precisávamos unir a cidade”, destacou Tiago Amaral, que assume como prefeito em 1º de janeiro de 2025.

A comissão esteve envolvida em obras como a duplicação da PR-445, o viaduto do Bratislava, em Cambé, que segundo o deputado estadual é crucial para a lógica do tráfego na região de Londrina, o viaduto da PUC (Pontifícia Universidade Católica), a reestruturação do aeroporto, além de trabalhar atualmente pela construção do viaduto do Grêmio, na saída para Ibiporã.

“É um dos grandes sonhos, e esse recurso vai ser colocado à frente. Tudo o que sonhávamos, em termos de grandes obras, que pensávamos e não saíam, conseguimos movimentar por meio dessa união, com a força política e a sociedade civil. Quando todos estão unidos em Londrina, ela vai ser respeitada. Essa foi a grande lição, a união da sociedade civil em prol de Londrina”, seguiu Amaral.

Em período de transição, o prefeito eleito tem em sua equipe nomes que envolvem a sociedade civil, como Gerson Guariente, vice-presidente da Acil e ex-presidente do Sinduscon, e o próprio Diego Menão, executivo do Masterplan. "O Masterplan tem tudo a ver com aquilo que eu penso para a cidade", afirmou.

Marcelo Belinati (PP), prefeito de Londrina de 2017 até o fim de 2024, exaltou a parceria entre a sociedade civil organizada e o poder público de Londrina e destacou que várias ideias e ações de diversos grupos o auxiliaram no desenvolvimento da cidade.

“A relação sempre foi muito boa. São pessoas que amam Londrina e que pensam a cidade, que tomam seu tempo pessoal para pensar e construir uma cidade melhor. Então são pessoas que não ganham nada por isso. Todas as entidades estão em reuniões, em debates, discussões, trabalhando, buscando a melhoria”, elogiou Belinati, que deixa o cargo em 31 de dezembro, após dois mandatos.

Segundo o atual prefeito de Londrina, o Masterplan foi um grande projeto que saiu da sociedade civil organizada para ajudar a cidade nos próximos anos.

“Foi uma reivindicação. A prefeitura contratou, pagou pelo Masterplan, e esse grande planejamento de Londrina será pelas próximas décadas. Vai delinear os caminhos que Londrina deve seguir nos próximos anos. Nós fizemos também (junto à sociedade civil) o plano de mobilidade urbana. As grandes obras foram baseadas nesse plano. Muitas vezes ouvir faz bem, ter a grandeza e humildade de escutar e fazer o melhor pela cidade”, concluiu Marcelo Belinati.

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