O cenário de oportunidades nas favelas brasileiras apontado pela pesquisa Datafavela tem despertado ações empreendedoras também em Londrina. O estudante de educação física e dono da academia Power Fit, Ismael de Pinho, apostou no potencial da zona sul e abriu seu estabelecimento na Avenida Guilherme de Almeida, que leva a muitos bairros da região, incluindo o populoso União da Vitória.
Quatro anos depois de investir no próprio negócio, o empresário nascido e criado nas redondezas, comemora o sucesso e decreta: ''Trabalho, moro e consumo na periferia. Não tenho a menor intenção de me mudar.''
Pinho instalou uma academia com equipamentos dignos de qualquer região da cidade para atender a clientela formada principalmente por famílias de trabalhadores que querem manter a forma e a saúde. Ciente das particularidades do público, ele capricha na qualidade das informações e não mede esforços para manter a fidelidade dos alunos às práticas esportivas.
Agradecido pela oportunidade de empreender o próprio negócio, ele oferece uma contrapartida aos bairros vizinhos. Em parceria com a Cufa, atende gratuitamente 40 crianças nas aulas de artes marciais.
O comerciante Cláudio Padilha, dono de uma loja de produtos fotográficos no União da Vitória, mora no bairro desde que o local era ''o fim da picada'', como ele mesmo define. ''Me mudei para cá porque não tinha casa própria e não queria pagar aluguel'', recorda ele, que trabalhou na indústria, foi garçom e acabou aprendendo um ofício atuando como empregado em lojas fotográficas ''do centro''.
Há quatro anos, contrariando a tendência de estabelecimentos similares que fechavam as portas em outras regiões, ele investiu na própria loja e prosperou. ''Como não tenho concorrência, não falta serviço'', garante Padilha, que trabalha com o filho e emprega duas funcionárias.
O potencial da região também atrai a atenção de prestadores de serviços que, em outras épocas, concentrariam seus esforços comerciais em bairros mais abastados. Sérgio Henrique Rodrigues, coordenador de vendas de uma TV por assinatura que acompanhava uma equipe no União da Vitória na semana passada, contou que já tinha vendido 13 pacotes no bairro em apenas um dia.
Os clientes, em sua maioria, compraram recentemente televisores com tecnologias mais avançadas, como LED e LCD, e com a troca de aparelho não conseguem sintonizar os sinais abertos. ''A gente vende principalmente o pacote básico, que custa R$ 40'', conta.
Ele revela ainda que, na periferia, é mais fácil vender porque os clientes ''fecham na hora'' e pagam em dia porque não querem correr o risco de perder o sinal. ''É o único lazer que esse pessoal tem nos finais de semana'', avalia.

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