Em 2002, quando terminaram as faculdades de Engenharia Elétrica e Computação, respectivamente, os irmãos Lucas, 31, e Tiago Prado Lone, 29, apostaram no empreendedorismo para se estabelecerem no mercado de trabalho. Nos fundos da casa dos pais, eles começaram a desenvolver soluções em equipamentos eletrônicos para indústrias da região.
Uma boa ideia associada à melhoria de renda da população - que levou brasileiros a frequentarem bares e restaurantes com mais frequência - garantiu a dupla a consolidação de uma indústria que fabrica um produto pioneiro: o aceno digital, utilizado em estabelecimentos de alimentação para o cliente chamar o garçom com apenas um toque no equipamento colocado em cima da mesa. O produto ajuda empresários do setor a lidarem também com a falta de mão de obra especializada para atender a freguesia.
Graças às vendas em escala, os empreendedores estabeleceram em 2004 uma linha de montagem e, há dois anos, investiram em um departamento comercial. ''O aceno digital está em 1,5 mil estabelecimentos de todo o Brasil, o que soma mais de 30 mil mesas'', contabilizam eles, que atualmente mantém na empresa uma equipe de 15 pessoas. Com planos de aproveitar as boas oportunidades impostas pela realização da Copa do Mundo no Brasil, já entraram em contato com vários restaurantes e hotéis habilitados pela FIFA. ''Começamos também a habilitar revendedores en todo o País.''
A empresa Maxwell Bohr produz ainda equipamentos para laboratórios de física em instituições de ensino. Também neste caso, foi beneficiada pelo aumento na demanda por serviços educacionais que acabou resultando na abertura de escolas, faculdades e cursos técnicos para formação de mão de obra qualificada.
Graças ao sucesso do negócio, os empresários conseguiram adquirir um equipamento de ponta, chamado ''Pick and Place'', que otimiza a montagem dos equipamentos eletrônicos e garante maior escala de produção. ''Conseguimos construir um negócio sólido em pouco tempo, graças ao crescimento da economia do País.''
Mais oportunidades
Além do crescimento do mercado interno, o setor industrial também tem se beneficiado das boas relações com os países em desenvolvimento do chamado Brics, com destaque para a China. ''Há oportunidades principalmente nas áreas de agronegócio, metal-mecânica, vestuário e biotecnologia'', avalia Rommel Barion, vice-presidente da Federeação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Os chineses, por outro lado, procuram parceiros para investimentos, no Estado, nas áreas farmacêutica, logística, transporte e vestuário. ''Temos vários acordos de cooperação. O Paraná é respeitado pela China.''
No setor do agronegócio, especialmente importante para o interior do Estado, as cooperativas devem faturar R$ 30 bilhões em 2011, superando o resultado de R$ 26,4 bilhões obtido em 2010. Os números favoráveis são explicados pela boa safra e também pela demanda do mercado internacional, conforme explicou Gilson Martins, analista técnico da Ocepar.
A proteção contra a crise econômica internacional, porém, é garantida pelo mercado interno em expansão, responsável pelo consumo da maior parte da produção. ''Por isso, um dos focos do cooperativismo é desenvolver produtos para atender o consumidor brasileiro'', diz.
Cortes elaborados de frango, embutidos , leite e sucos são alguns dos produtos em destaque. ''Hoje, é possível fazer uma 'compra do mês' consumindo apenas mercadorias fabricadas pelas cooperativas do Paraná.''(C.A.)

mockup