Na semana passada, aproveitando o clima de Natal que começa a tomar conta de Londrina, os comerciantes Maria Vanusa e Valdecir de Oliveira fizeram uma grande compra de roupas e calçados para a filha Isabelly. O pedreiro Edilson Flausino, por sua vez, comemorou em família o final bem sucedido do primeiro ano letivo da filha Adriana na faculdade de psicologia.
Os fatos poderiam ser corriqueiros, mas nas duas famílias assumiram grandes proporções por serem acontecimentos inéditos. Integrantes da nova classe média - que se desenvolveu com a melhoria da renda dos brasileiros nos últimos anos -, Maria Vanusa, Valdecir, Edilson e os filhos experimentam, pela primeira vez, a sensação de trocar as dificuldades financeiras e a exclusão pelo poder de consumo e o acesso a educação e cultura.
Famílias como a deles ajudam a manter o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná maior que a média brasileira por dois anos consecutivos. Em 2011, enquanto o Brasil vai crescer 3,2%, a expectativa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) é que o Estado atinja o índice de 4,1%. O levantamento das vendas do comércio varejista, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é outro termômetro que indica os bons resultados em 2011: apenas de janeiro a setembro, as vendas cresceram mais de 9% com relação ao ano passado, com perspectiva de atingir índices ainda maiores por conta do incremento do consumo no final do ano.
A história de Maria Vanusa, 38, e Valdecir de Oliveira, 40, sintetiza as consequências do aquecimento do mercado interno por conta da melhoria de renda. Vindos de São Paulo há cinco anos, chegaram a Londrina com o firme propósito de abrir uma ''lojinha'' de materiais de construção, estabelecida no final da avenida Saul Elkind (Zona Norte), próxima ao São Jorge e ao recém-inaugurado Vista Bela.
Nos primeiros anos, por conta das dificuldades financeiras, Valdecir não conseguia deixar o trabalho com fretes para dedicar-se ao comércio. A guinada veio nos dois últimos anos, quando a população da região passou a investir em reformas e na construção de casas, fomentando o negócio do casal. ''A gente tem um pouco de tudo e entrega em qualquer região da cidade'', conta Vanusa, que nos dias mais difíceis ficou sem xampú para lavar o cabelo e enfrentou até falta de comida. ''Quando tinha arroz, faltava óleo'', recorda.
Sem saudades do passado, a família comemora os dois carros na garagem, o computador novo da loja e o término da planta da casa própria, em um terreno comprado na região. ''Queremos três quartos, suíte e tudo mais que temos direito. É um sonho que vai se realizar'', planejam.
O casal e a pequena Isabelly, de 5 anos, experimentam também o prazer de frequentar lanchonetes, restaurantes e shoppings. ''Minha família veio de São Paulo e levamos todo mundo ao pesqueiro'', revela Valdecir. A esposa acrescenta que, nos período de vacas magras, foram os familiares quem garantiram as necessidades básicas de Isabelly, o que aumenta a vontade de agradecer.
Foi por isso que a compra de roupas, sapatos e até um sonhado brinquedo para a garota foi tão significativa para a família. Emocionada, Vanusa relata ter sido a primeira vez que entrou em lojas para vestir e calçar a menina. ''Comprei camisetas, vestidos, calçados, boneca... Isso é só o começo, meu plano é colocar ela em um bom colégio'', almeja a comerciante.
O desenvolvimento da região Norte deve continuar soprando bons ventos sobre os negócios do casal. Se antes os clientes buscavam materiais de construção, hoje a maior demanda é por miudezas e acabamentosw. De olho nas oportunidades, os comerciantes investem, agora, na diversificação do mix de mercadorias.

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