A casa reformada e cuidadosamente mobiliada, com carro na garagem e jardim não é o único indicativo de que a família do pedreiro Edilson Flausino, 44, na Zona Norte, ''melhorou de vida''. No início deste ano, uma decisão tomada em conjunto com a filha Renata, 18, aumentou as chances de se consolidarem na classe média.
Estudiosa, Renata passou em um concurso público e também no vestibular para cursar psicologia na Univerisidade Estadual de Londrina (UEL). Com a melhoria de renda da família, Flausino aconselhou a filha a abrir mão do emprego estável para se dedicar à faculdade em período integral. Na avaliação do pai, a decisão vai garantir um futuro ainda melhor à jovem, que será a primeira da família a ter um diploma de curso superior.
''A Renata sempre foi boa aluna, mas nunca imaginei que teria condições de mantê-la em uma faculdade'', comemora o pai, que deixou o ofício de motorista para dedicar-se à prestação de serviços na construção civil. ''Trabalho nunca falta'', diz.
A realidade do pedreiro Edilson confirma a análise de Júlio Suzuki, diretor de pesquisas do Ipardes, para quem a nova classe média paranaense, assim como a brasileira, se consolidou com rendimentos vindos do trabalho. ''Até outubro de 2011 foram gerados mais de 140 mil empregos no Estado'', afirma.
A iniciativa de investir em educação é uma medida que, conforme o pesquisador, pode consolidar a permanência da família na classe média. ''A manutenção dessa ascensão social depende do contexto macroeconômico, mas é influenciado também pelo acesso à educação'', defende.
Por isso, ele avalia que um dos avanços necessários à consolidação da classe é uma mudança no padrão de consumo, com mais investimentos em educação e saúde, além de políticas efetivas que garantam o acesso a esses serviços.

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