Pobres são os mais afetados
Quanto mais mudanças climáticas, mais prejuízos e mais problemas para as nações. Essa é a sentença do pesquisador Décio Gazzoni, da Embrapa Soja, que participou neste ano, no México, de reunião da Academia Internacional de Ciências. Pesquisadores presentes discutiram propostas a serem levadas para a Cop 21, Conferência Mundial do Clima realizada na última semana em Paris, na França. "Uma das propostas diz respeito ao investimento em biocombustíveis, como é o caso do etanol. A segunda envolve a geração de energia elétrica renovável, como é o caso da energia solar e da eólica", antecipa.
Gazzoni alerta que os países com menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), localizados em regiões tropicais e subtropicais, sofrerão mais impactos negativos causados pelas mudanças climáticas do que as nações mais ricas. Além disso, serão os extratos mais pobres de cada país os mais afetados.
"Fortes ondas de calor, secas, precipitações intensas e prolongadas multiplicam os custos de atenção à saúde ou reconstrução de casas, aumentam o absenteísmo no trabalho e reduzem o rendimento da agropecuária", pontua.
Segundo ele, há estudos que demonstram haver uma associação não linear entre temperatura e produtividade econômica. "A máxima produtividade do trabalhador ocorre em países com temperatura média de 13 graus", diz, lembrando que nações com essas condições climáticas desenvolveram mecanismos para se adaptar às temperaturas. "Há um conjunto de tecnologias que aumentam a produtividade dos trabalhadores", destaca.
Como exemplo da importância da adaptação ao clima para a produtividade no trabalho, ele cita que os tratores mais modernos possuem cabine climatizada com ar condicionado, o que garante mais conforto ao operador, resultando em maior produtividade. "Somos resultados das pressões do ambiente. As tecnologias surgem para tornar a vida mais agradável e confortável."
Gazzoni analisa que o Brasil é um país de baixa renda, localizado em regiões tropicais e subtropicais, de altas temperaturas que podem aumentar ainda mais diante das mudanças climáticas. "É preciso desenvolver estudos e modelos para a nossa condição, estabelecendo com a maior fidelidade possível os custos das mudanças climáticas, as políticas e ações que devem ser implementadas para reduzir seu impacto negativo sobre a sociedade", opina. (C.A.)





