Para o urbanista Humberto Yamaki, professor do curso de Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o design tem papel importante na melhoria das cidades.
"Fortalecer a identidade local e humanizar os espaços públicos é o desafio. Uma boa solução resulta consequentemente no bem-estar da comunidade, a sua ligação com o chão", observa.
Para Yamaki, é preciso recuperar o que ele chama de "tempo perdido". "As intervenções têm que ser pensadas como reforço no caráter do espaço público, reforçar a identidade local, reforçar a passagem do tempo", diz.
A receita, porém, está longe de ser seguida à risca. "Há muito tempo, sob justificativa de readequação ou revitalização, temos assistido à destruição e padronização dos espaços públicos em nível global." Ele afirma que Londrina não é uma exceção. "Predominam as reformas de espaços públicos que tendem a anular o seu caráter, as reminiscências ou o pouco de passagem do tempo reconhecíveis", critica.
"Londrina com 80 anos é a mais antiga cidade ao longo da ferrovia nas terras da Companhia de Terras do Norte do Paraná. Apesar disso, são poucos os espaços públicos que mantém as características da época do seu projeto", analisa. "O desconhecimento da história dos lugares e seus projetos iniciais tendem a anular o próprio reconhecimento da história da cidade", destaca.
O especialista lembra de dois exemplos de intervenção em praças na cidade, que mostram como o design urbano pode ser bem ou mal tratado. "Na Praça Marechal Floriano (conhecida como Praça da Bandeira, de 1943), foi possível manter as cópias de 'bancos bola' e o traçado", afirma. Em compensação, a reforma do Calçadão (entregue em 1977) pode ser considerada um mau exemplo. "Foram retirados todos os elementos, desde o mobiliário até o piso", avalia.
Uma volta de poucos minutos pelas ruas já é suficiente para moradores e visitantes perceberem a precariedade do design na cidade, lembra Yamaki. "As lixeiras feitas de baldes de óleo reciclados possuem design tosco, as rampas para cadeirantes são construídas na base da marreta e pavers multicoloridos enfeiam o centro", dispara.

NAS METRÓPOLES

Segundo Yamaki, "em nome de uma racionalidade e contenção aparente de custos, poucos são os projetos novos que procuram dar identidade aos espaços públicos. Predominam os projetos padrão e sem perspectiva de um amadurecimento digno. O projeto nasce pronto e tem vida curta".
"Em São Paulo, recentemente, construíram as chamadas "praias urbanas", seguindo modelo existente em Paris e Londres. É a utilização de espaços públicos perdidos no centro histórico, visando a recuperação do local. No Largo São Francisco, fizeram um palco de madeira com bom design, bom material, bem construído", elogia. "Possui plataformas e degraus que vão incorporando os elementos preexistentes no local, tais como, banca de jornal, respiro de ar do metrô e empena cega de um edifício. Uma intervenção que recupera o uso do local e do entorno", explica.
A capital britânica, o maior aglomerado urbano europeu, implementou uma ação que tem conquistado os urbanistas. Trata-se da transformação das antigas cabines telefônicas vermelhas, praticamente em desuso com o advento da massificação da telefonia móvel. Ao invés de serem retiradas ou descartadas, elas ganharam uma nova função. "A colocação de painéis solares no teto permite agora recarregar equipamentos eletrônicos portáteis. Pintadas de verde e batizadas como Green Box (caixa verde), as cabines continuam marcando com seu design tradicional as esquinas na Inglaterra. É a continuidade de uso como patrimônio", explica Yamaki.

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