Um dos principais pensadores do ambiente urbano de Curitiba, o arquiteto Carlos Hardt, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR), acredita que a conquista do título de Capital Mundial do Design é um objetivo que pode ser concretizado, mas não na atual realidade. "Tem condições de ser, embora ainda não seja. Para isso, precisa de uma política clara e efetiva neste sentido, não basta apenas uma campanha de marketing", alerta.
Para ele, a cidade precisa de um novo círculo virtuoso para readquirir um pouco da força inovadora que perdeu desde os áureos anos 1970 e 1980. "Precisamos de um novo ciclo, quem sabe com a organização de concursos internacionais para as principais obras públicas, projetos que vão além do arroz com feijão, algo que ganhe destaque na paisagem urbana", defende. "Isso contaminaria o setor privado, desencadearia um processo salutar, de se fazer as coisas bem feitas, com um design interessante", aposta.
Para ele, a percepção de que a capital está parada e que precisa de ideias novas, pode ser medida nos debates políticos sobre a cidade - o assunto tem sido recorrente nas últimas sucessões municipais. "O que se diz é que a cidade está parada, que precisa de ideias novas, que não está mais na vanguarda como esteve antes", ressalta.
Mas a capital paranaense preservou o mais importante, segundo o professor. "Em qualquer foto aérea panorâmica de Curitiba se percebe exatamente como a cidade foi planejada. Isso é valorizado no mundo inteiro. Ainda mais numa realidade latino-americana, onde prevalecem péssimos costumes da gestão urbana. Fazer o planejado é o símbolo da continuidade de uma política pública." Para ele, os governos municipais superaram ao longo do tempo o velho hábito de descartar tudo o que foi feito antes, de começar "tudo do zero".
Hardt atribui a tradição de continuidade a um fator que também lhe dá esperança de um novo ciclo vanguardista no design urbano de Curitiba. "O legado interessante dos tempos áureos do planejamento é que a cidade se abriu para a inovação, hoje a população cobra ações inovadoras, aceita e gosta da ideia de mudar a cidade para melhor. Por isso quer políticas permanentes e por isso poderá exigir que os governantes retomem este caminho."
E quem seria a Curitiba de hoje no mundo? Para o urbanista é a colombiana Medellin. "É uma cidade que tinha sérios problemas estruturais mas que com as inovações reverteu este processo negativo num círculo virtuoso. Hoje são propostas, que geram propostas, que são compradas pela população", valoriza.
Porém, adverte Hardt, não basta copiar as cidades que acertam no gerenciamento dos espaços públicos. "Os bons exemplos são para ser estudados e não para ser seguidos como modelos. Eles necessariamente precisam ser ajustados para uma realidade diferente, caso contrário não funcionam", aconselha.

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