O Paraná é pioneiro no Brasil em conselhos de segurança. A primeira experiência deste tipo de grupo foi em Londrina, em abril de 1982, quando foi registrado no 1º Ofício de Registro de Títulos e Documentos o conselho da cidade. Nos últimos 30 anos, dezenas de grupos, conhecidos pela abreviação Conseg, foram criados no Paraná reunindo representantes da sociedade civil organizada, com o objetivo de apresentar queixas, informações e sugestões sobre segurança pública. Mas este entusiasmo foi perdendo força ao longo dos anos.
No início do ano passado, porém, a Coordenadoria Estadual dos Consegs, ligada à Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), iniciou um trabalho para reativar e constituir conselhos em todo o Paraná. Os números desta ação indicam o quanto estas entidades estavam desmotivadas no Estado. Atualmente, o Paraná tem 231 conselhos ativos e cadastrados na coordenadoria. Destes, 71 são grupos que estavam sem atividades e voltaram a atuar a partir de 2011, ou conselhos novos, que partiram do zero.
''O fato mais relevante era realmente a desmotivação, por vários fatores: falta de interesse, de apoio, por (moradores) não acreditarem que alguma coisa poderia ser feita. Entramos em contato com representantes das comunidades e forças de segurança locais para reativar ou criar novos conselhos'', explica Michelle Lourenço Cabral, coordenadora estadual dos Consegs.
''A comunidade são os olhos e os ouvidos da polícia e do poder público. Quem vive na rua, no bairro sabe melhor do que ninguém os problemas da região. Por que não ajudar com informações e sugestões? Trabalhamos com o conceito de polícia comunitária, com as comunidades trabalhando junto (com as forças de segurança)'', afirma Michelle.
Ela explica que a intenção da coordenadoria é ter 40 conselhos ativos em Curitiba e um por cidade nas outras regiões do Estado, o que representaria 438 grupos. No Paraná, a criação e a regulamentação de Consegs têm que passar pela coordenação estadual, conforme os termos de dois decretos, ambos de 2003. Os chefes locais das polícias Militar e Civil são membros obrigatórios de cada conselho.

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