Completamente lúcido aos 93 anos de idade, o japonês Massuo Narimatsu abre um enorme sorriso ao falar da Acel e das atividades que desenvolve semanalmente no clube, no Grupo da Terceira Idade. ‘‘Gosto muito das palestras, de conversar com os amigos, das festas com danças e das excursões e viagens para pescar. Se me convidarem, vou à Acel todos os dias.’’
Narimatsu chegou ao porto de Santos (SP) em 1925 e veio para Londrina em 37, depois de uma passagem pelo interior paulista. Formado em contabilidade no Japão, aqui ele foi agricultor e o primeiro ministro da Igreja Messiânica na cidade. ‘‘Mesmo sem ter sido da diretoria, porque tinha muitos filhos e precisava trabalhar muito, tenho orgulho de ser sócio da Acel desde o seu início’’, comenta ele, que é casado com Missao Narimatsu.
O casal, que mora sozinho no centro de Londrina por opção própria, tem dez filhos, 28 netos e oito bisnetos. A filha mais velha do casal, Deiko Miya, foi a primeira miss da Acel aos 16 anos. Bem humorado, Massuo não gosta de falar da crise que atinge o clube do coração. E diz que não colaborou com ela, porque tem apenas um filho trabalhando no Japão e todos os seus outros filhos e netos são sócios e participam das atividades da Acel.
Massuo ajudava como voluntário no Consulado do Japão em Curitiba, fazendo a tradução para o japonês dos documentos dos dekasseguis que embarcavam para aquele país. Ele já visitou seu país de origem dezenas de vezes, mas não pretende voltar em definitivo para lá. ‘‘Tenho no Japão uma boa herança, porque sou o único filho vivo de uma família que deixou uma rede de supermercados. Mas não vou para lá por dinheiro. Prefiro morrer aqui, neste paraíso que é o Brasil. Porque é onde, mesmo não sendo rico, me sinto muito feliz.’’ (O.C.)

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