No Brasil, conforme Alexandre Cattelan, chefe adjunto de transferência de tecnologia da Embrapa Soja, as culturas que mais utilizam transgenia são em primeiro lugar a soja, seguida do milho e do algodão. "Em termos de tecnologia, primeiro vem a resistência a herbicidas e, depois, a resistência a insetos, pragas (tecnologia Bt)", explica.
O especialista confirma que o uso continuado das variedades transgênicas, sem rotação de tecnologias e moléculas, e o uso continuado do mesmo tipo de herbicida tem ocasionado o aparecimento de ervas daninhas resistentes, o que demanda aumento nas aplicações de herbicida para controle dessas ervas. "Outro desafio é o uso continuado da tecnologia Bt, sem rotação de culturas ou tecnologias e sem a adoção da área de refúgio", afirma.
 Sobre o relato de produtores que informam encontrar poucas opções de variedades eficientes de soja convencional no mercado, ele afirmou que a Embrapa continua desenvolvendo variedades convencionais altamente produtivas das principais culturas, que estão disponíveis no mercado. "Algumas empresas privadas realmente descontinuaram seus programas convencionais", confirma.
Com relação à necessidade de aplicar mais herbicida nas variedades de soja transgênica, Catellan afirma que o volume de defensivo utilizado caiu em um primeiro momento, mas voltou a aumentar com o uso de variedades resistentes. "No caso da tecnologia Bt, inicialmente também se espera uma diminuição no uso de inseticidas. No entanto, conforme os insetos e pragas forem se tornando resistentes, o uso volta a aumentar. É por isso que novos transgênicos estão sendo constantemente desenvolvidos", observa.
O pesquisador ressalta que, nos dez anos de liberação de transgênicos, a tecnologia foi amplamente adotada, especialmente na soja. "No entanto, para que as tecnologias tenham vida mais longa, é necessário haver uma rotação de culturas ou, pelo menos, de tecnologias", insiste, acrescentando que um fato positivo observado na década é a desmistificação da transgenia. "Na primeira fase, os benefícios da tecnologia foram mais perceptíveis para os produtores. Mas com o advento de novos transgênicos, é provável que o consumidor também perceba mais diretamente as vantagens", acredita. (C.A.)

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