Pesquisa vai investigar saúde de docentes
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domingo, 02 de fevereiro de 2014
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Dirigentes dos sindicatos que representam os professores nas redes pública e particular enfatizam que a atividade de docência, em muitos casos, representa riscos à saúde dos profissionais. Doenças como estresse, depressão, estresse pós-traumático e Síndrome de Burnout (caracterizada pela estafa profissional) fazem cada vez mais parte da ficha médica da categoria.
Em 2009, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato) realizou uma pesquisa empírica e constatou que, dos 7 mil entrevistados, 30% relatou afastamento do trabalho por depressão.
Diante das evidências sobre as más condições de saúde dos professores, a Secretaria de Saúde e Previdência da APP-Sindicato e o Núcleo de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Paraná (UFPR) iniciam nas próximas semanas a coleta de dados para uma pesquisa científica sobre o sofrimento mental docente.
"Outra queixa recorrente são as doenças osteomusculares", afirma Idemar Vanderlei Beki, responsável pela Secretaria de Saúde e Previdência da APP-Sindicato. "Sabemos que a situação é alarmante, mas queremos um diagnóstico preciso sobre o que leva ao adoecimento para termos subsídios e cobrar soluções", argumenta.
A pesquisa, segundo ele, será feita via internet, através de um site onde os professores poderão responder a um questionário. O trabalho é conduzido pelo professor Guilherme Albuquerque, da UFPR. "Faremos uma campanha de divulgação direcionada aos docentes para que participem das pesquisa", adianta.
Para Beki, um dos principais fatores de adoecimento é a carga horária extensa, que obriga o professor a assumir várias turmas em vários períodos. "Por isso, estamos lutando para ampliar as horas-atividade de 30% para 33% da carga horária total."
O ambiente escolar, que inclui a recorrente indisciplina, também contribui para o quadro. "O professor não é preparado para lidar com situações externas à atividade de docência, como por exemplo os problemas sociais da região da escola", comenta, acrescentando que a instituição absorve todos os problemas de seu entorno sem condições de conseguir dar conta. "Tem também a questão da frustração, de ir para a sala com a aula preparada e não conseguir realizar o trabalho", diz.
O dirigente lembra que uma das consequências do sofrimento mental é o afastamento da sala de aula para funções burocráticas. "Em casos mais graves, acabam se aposentando por invalidez e sofrem rebaixamento do salário. Este professor é punido duas vezes: pela doença e pela redução dos rendimentos."
Particulares
Para os professores da rede particular, o grande fantasma da atividade docente é o assédio moral, conforme explicou André Cunha, presidente do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Londrina e Norte do Paraná (Sinpro).
Ele esclarece que o ritmo de trabalho dos professores se modificou bastante nos últimos cinco anos, com o amplo acesso dos alunos à internet. "Trabalha-se quatro a cinco vezes mais do que há dez anos para dar conta do volume de demandas imposto pelas novas tecnologias", afirma.
Com relação à indisciplina dos alunos, o presidente comenta que a rotina dos professores da rede particular é marcada por um paradoxo: ao mesmo tempo em que deveriam ser a autoridade da sala, são cobrados pelos gestores das escolas para não desagradarem os "clientes". "Muitos gestores inclusive permitem o assédio dos pais aos professores sem qualquer filtro, até mesmo fornecendo o telefone particular", denuncia.
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