Em fevereiro do ano passado, a Folha publicou uma série de reportagens sobre as consequências do estresse na atividade policial, com depoimentos de vários membros da PM relatando situações semelhantes às enfrentadas pelos maridos de Márcia Marton e Ivanir Gusmão. A série foi iniciada pela divulgação de uma pesquisa feita pelas psicólogas Mari Nilza Mezaroba, Solange Maria Begeatto e Romilda Cordioli, professoras do departamento de psicologia social e institucional da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Durante quatro anos, elas entrevistaram 180 policiais e realizarem reuniões com 75 deles. Ao final do trabalho, concluíram que os PMs vivem em estado de constante estresse. ‘‘Os policiais são cobrados a cumprirem as regras da corporação mesmo quando estão em casa, nos períodos de folga. Ninguém pode ser profissional 24 horas por dia’’, analisou Solange.
Elas também concluíram que alguns fatores estressantes podem ser detonadores de violência. A imprevisibilidade no trabalho e a falta de informações sobre a situação que vão encontrar no local da ocorrência são apontadas como as causas mais relevantes. ‘‘Qualquer um que participe de ações violentas fica com marcas’’, ressaltaram.
Para as psicólogas, a inserção de atividades psicoterapêuticas no cotidiano do quartel poderia amenizar o problema. ‘‘No ano passado, nós entregamos uma cópia do relatório para o comandante Máximo Fim e conversamos uma vez sobre o conteúdo do relatório. Ele ficou de entrar em contato para iniciarmos um trabalho junto aos policiais, mas até hoje não fomos contatadas’’, disse Solange.
O comandante Fim afirmou que os membros da PM que precisam de atendimento psicológico devem buscar apoio junto ao comando, que os encaminha para o SAS, em Curitiba. (C.A.)

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