Pesquisa investiga aumento dos partos prematuros
A prematuridade apresenta um discreto crescimento ao longo do tempo no Brasil, ao contrário do que seria esperado em um país onde a maioria dos indicadores de saúde materno-infantil estão apresentado melhorias. Esta é uma das conclusões do estudo "Prematuridade e suas possíveis causas", realizado por pesquisadores de 12 universidades brasileiras, liderados pelo Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas, com apoio da Unicef.
Eles desenvolveram novo método para avaliar a frequência de nascimentos prematuros no Brasil e detectaram que 11,8% das crianças nascidas no País em 2011 foram prematuras. "Esta é uma taxa extremamente alta, se comparada com outros países similares, sendo a prematuridade atualmente a maior causa de mortes de crianças em nosso país", diz o texto.
Paradoxalmente, as regiões mais desenvolvidas (Sul e Sudeste) são as que apresentam os maiores percentuais de prematuridade (12% e 12,5%, respectivamente), seguidas pela Região Centro-Oeste (11,5%), Nordeste (10,9%) e Norte (10,8%). A cor de pele e a etnia também parecem influenciar na prevalência da prematuridade, com maior incidência entres as mulheres indígenas. Outro fator que pode influenciar é a idade da mãe, visto que partos realizados entre gestantes com menos de 15 anos apresentam prevalência de 10,8%. A menor taxa encontrada, 6,7%, foi detectada entre as mulheres na faixa dos 20 aos 34 anos.
A pesquisa aponta que uma das principais causas evitáveis de prematuridade e do baixo peso ao nascer é o fumo materno durante a gravidez. "Estudos nacionais mostram que cerca de 15% das brasileiras são fumantes", relatam os pesquisadores.
Eles mencionam que o Brasil apresenta, provavelmente, as mais altas taxas de cesarianas no mundo. A frequência aumentou de 38% de todos os partos em 2000 para 54% em 2011. "A Organização Mundial da Saúde recomenda taxas não superiores a 15%, e o excesso de cesarianas aumenta a mortalidade de mães e de crianças", afirmam.
Diversas análises foram realizadas para investigar se este fator poderia ser responsável pelos elevados níveis de prematuridade e de baixo peso ao nascer. Um dos participantes do grupo de pesquisadores, o professor titular do departamento de Medicina Social Universidade Federal de Pelotas e da Universidade Católica de Pelotas, Fernando Barros, afirma que tais análises não são conclusivas. "A prematuridade aumentou tanto em partos vaginais como cesáreas. O que pode acontecer é o médico errar a data gestacional e, numa cesárea programada, a criança nascer antes", disse ele.
O médico afirma que a maioria das mortes de prematuros envolvem crianças no limite da viabilidade, entre 500 e 700 quilos. Por isso, há uma possibilidade que os partos tenham ocorrido após tentativas de aborto, principalmente com uso de medicamentos. "Ninguém conta que fez um aborto, por isso é difícil confirmar", reforça.
Apesar das evidências descritas, Barros comenta que a pesquisa em geral não tem explicações concretas para a elevação do volume de partos prematuros no Brasil. "Pode ser por infecções ou estresse, por exemplo, mas não sabemos os motivos. Estamos pesquisando para entender o que acontece", disse.
Ao final do estudo, os pesquisadores destacam a necessidade de as políticas públicas focalizarem os fatores de risco modificáveis para os nascimentos prematuros, entre eles a prevenção de gestações na adolescência; investimentos em melhorar a escolaridade de mulheres; o planejamento familiar com prevenção de multiparidade (gestação de mais de um feto); e a necessidade de atenção especial à população indígena.
"É preciso melhorar a educação das mulheres e homens para diminuir a mortalidade neonatal. A Saúde precisa trabalhar a questão da contracepção, oferecendo métodos adequados principalmente para a população mais carente e que recebe menos atenção social." (C.A.)





